O presidente brasileiro evitou o diálogo direto com Donald Trump, mas aproveitou a sessão ampliada da cúpula para mandar um recado contundente contra barreiras comerciais e o neoliberalismo.
DA REDAÇÃO
Atualizado em junho de 2026
Durante a sessão ampliada da cúpula do G7 nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra o que classificou como "omissão" das nações mais ricas do mundo diante da atual crise global de desenvolvimento. Embora não tenha havido uma conversa bilateral ou contato direto entre Lula e o presidente norte-americano Donald Trump durante o evento, o líder brasileiro centralizou seu discurso em críticas que atingem diretamente a agenda econômica de Washington.
"Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional", afirmou Lula ao falar sobre os desafios e a solidariedade internacional.
Sem mencionar o nome de Trump, Lula mirou no protecionismo — uma das principais bandeiras da política comercial da atual gestão dos Estados Unidos —, mas também não poupou o modelo neoliberal clássico. Segundo o presidente, as receitas econômicas tradicionais falharam em combater a desigualdade, enquanto o fechamento de mercados por parte das grandes potências estrangula o crescimento dos países em desenvolvimento.
Os principais pontos do pronunciamento:
- Cobrança por financiamento: Lula destacou que os países do G7 precisam assumir a responsabilidade histórica e financeira no financiamento do desenvolvimento sustentável e na transição climática do Sul Global.
- Crítica aos dois extremos: O discurso atacou tanto a desregulamentação financeira extrema quanto as barreiras tarifárias unilaterais, defendendo um comércio global mais justo e integrado.
- Foco na desigualdade: O presidente brasileiro reiterou que a fome e a falta de oportunidades nos países mais pobres não são apenas problemas locais, mas sim o resultado de uma governança global desequilibrada.
A postura de Lula reflete a estratégia da diplomacia brasileira de usar fóruns internacionais de alto escalão para posicionar o Brasil como a voz das economias emergentes. Ao mesmo tempo em que evita o confronto diplomático direto ou incidentes protocolares com Trump, o governo brasileiro demarca suas profundas divergências ideológicas e econômicas com a atual linha política da Casa Branca.

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