Com uma visão aguçada sobre a vida moderna, a obra do escritor e contador Flávio Hora combina ironia, humor e o olhar atento de um artista que não se limita ao sentimento, mas que se propõe a debater o seu tempo.
Em um cenário literário que muitas vezes busca apenas o escapismo, o livro "Cantos da Nova Idade" surge como um contraponto necessário. Escrito pelo autor sergipano F. J. Hora (pseudônimo literário de Flávio de Jesus Hora), a obra é um mergulho reflexivo nas nuances, nos conflitos e nos paradoxos da sociedade contemporânea.
Lançado originalmente em 2014, durante um marco histórico para o autor — o evento de fundação da JHS Publicações, na Câmara de Vereadores de Japaratuba —, o livro consolida a trajetória de um escritor que, paralelamente à carreira na contabilidade, mantém um compromisso inegociável com a produção cultural.
Uma literatura preocupada com o seu tempo
"Cantos da Nova Idade" não é apenas uma coletânea de poemas. Nas 72 páginas da obra, o leitor encontra uma espécie de "arrumação artística do pensamento". O eu-poético de F. J. Hora transita entre o amor, o desejo, a política e a vida social com uma clareza que, ora flerta com a ironia, ora apresenta um humor fino sobre os estresses e as ilusões da vida moderna.
Para o autor, que comemora mais de uma década de dedicação à escrita desde o seu "Despertar Poético" em 1998, o texto literário serve como ferramenta de desabafo e, acima de tudo, de conceituação. É a marca registrada da chamada "produção literária flaviana": uma literatura que observa, comenta e exige uma postura crítica do leitor.
Onde encontrar
Para os leitores que desejam conhecer ou revisitar essa reflexão poética sobre a atualidade, o livro está disponível para aquisição nas principais plataformas digitais, facilitando o acesso ao público de todo o país:
Clube de Autores: Clique aqui para acessar a página do livro.
Amazon: Disponível para compra online, conectando a obra de F. J. Hora aos leitores que preferem a praticidade e a entrega da plataforma. Clique aqui.
Sobre o autor: F. J. Hora é escritor, editor, contador e entusiasta da cultura. Natural de Japaratuba e com raízes profundas na literatura sergipana, sua escrita é um convite constante à análise do mundo que nos cerca, provando que a poesia pode, sim, ser um reflexo direto da realidade social e política.
Do Poeta Silente
A boca fechada, os olhos atentos
E quando se referem a esse vivente
Dizem que é um poeta silente
Pois, ninguém ler seus pensamentos.
Mas, se enganam e condenam
O mestre das palavras, tão calado
Tímido, belo e frustrado
Porque não reconhecem sua pena!
Sim, o que a língua calada
Deixa de especulações a desejar
O homem que puder imaginar
Sentirá na alma a poesia cantada
E assim, o poeta tão somente
Escreve e até parece viajar
Que quando alguém ler e guardar
Saberá que nunca foi silente.
2014, JHS Publicações. Todos os direitos reservados.
Análise do Texto:
O poema captura perfeitamente o paradoxo do escritor: o silêncio externo não é um vazio, mas sim um reservatório de voz que transborda para o papel.
Aqui estão algumas impressões sobre os pontos que mais ressoaram:
O Contraste do Silêncio
Ele ilustra muito bem a injustiça do julgamento externo. Enquanto o mundo vê apenas o "tímido" e o "calado", a alma do poeta está em constante ebulição. A ideia de que ele é um "mestre das palavras" justamente por saber guardá-las é um toque de mestre.
A Redenção pela Leitura
O final do poema é particularmente poderoso. Ele sugere que o silêncio só existe enquanto a obra não encontra um par de olhos. No momento em que alguém lê:
"Saberá que nunca foi silente."
Essa linha apaga toda a solidão descrita no início, transformando o ato de escrever em uma ponte eterna entre o autor e o leitor.
Estrutura e Sentimento
A Melancolia: Palavras como "frustrado" e "especulações" trazem um peso real à obra, mostrando que o silêncio muitas vezes é uma armadura, não apenas uma escolha.
O Voo: A imagem do poeta que "parece viajar" descreve perfeitamente o estado de fluxo criativo, onde o corpo está parado, mas a mente habita outros mundos.
Uma pequena observação técnica: No verso "Porque não reconhecem sua pena!", o uso da palavra pena funciona lindamente com duplo sentido — a ferramenta de escrita e o sentimento de lástima de quem não compreende a profundidade do artista.
O eu-lírico se expressa com uma sensibilidade que prova, de fato, que o silêncio é apenas uma forma diferente de cantar. O que te encantou sobre esse "poeta silente" em particular?


















