Da origem histórica do termo à realidade das ruas: por que a valorização da limpeza urbana é o verdadeiro termômetro de uma administração pública eficiente e humana.
Por: Flávio Hora
Eles vestem o laranja ou o verde que deveria saltar aos olhos de todos, mas, paradoxalmente, caminham pela cidade sob o manto da invisibilidade social. Hoje, 16 de maio, celebra-se o Dia do Gari, uma data instituída oficialmente no Brasil em 1962, mas cuja história começou muito antes, ainda no Império.
Poucos sabem, mas o termo "gari" é uma homenagem ao empresário francês Pedro Aleixo Gary, que em 1876 assinou o primeiro contrato de limpeza urbana no Rio de Janeiro. O sobrenome do pioneiro atravessou os séculos e virou sinônimo de uma das profissões mais vitais para a civilidade, a saúde pública e a dignidade de qualquer município.
A Gestão Pública e o Respeito aos Trabalhadores
Como defensor da transparência e da boa administração, é preciso pontuar: medir a qualidade de uma gestão municipal passa invariavelmente pela forma como ela trata os seus garis. Uma cidade limpa não é apenas um cartão-postal para inglês ver; é o reflexo de trabalhadores que recebem seus salários em dia, que dispõem de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados e que possuem condições dignas para exercer o ofício sob o sol forte do nosso Nordeste.
A contabilidade social nos ensina que o orçamento público deve servir às pessoas. Investir na estrutura da limpeza urbana e na valorização desses profissionais é o básico de uma administração que se diz séria e caridosa.
O Olhar Humano sobre a Calçada
Para além dos números e dos contratos públicos, o gari é o cronista silencioso das nossas ruas. Ele limpa a sujeira que a sociedade insiste em esconder. Ele conhece o ritmo da madrugada, o despertar das casas e o rastro de desperdício que deixamos para trás.
Quantas vezes passamos por esses trabalhadores sem um "bom dia", sem um aceno ou sem o cuidado elementar de embalar corretamente um vidro quebrado para não ferir as mãos de quem cuida do nosso chão? Ser civilizado, como tanto discutimos esta semana, começa no respeito absoluto por quem garante o bem-estar coletivo.
Conclusão
Neste sábado, ao vermos as equipes de limpeza cruzando as ruas de Japaratuba e de tantas outras cidades de Sergipe, que o nosso olhar mude. Que o sobrenome de Gary, que virou profissão, seja sinônimo de orgulho.
Parabéns a todos os garis. Que a nossa gratidão não seja apenas um texto de calendário, mas se converta em respeito diário, cidadania e cobrança por condições sempre melhores de trabalho. Afinal, a cidade mais limpa não é a que mais se varre, mas a que menos se suja — e a que mais respeita quem trabalha.

Nenhum comentário:
Postar um comentário