Este é um relato de vida extraordinário, é um testemunho da força da educação e da cultura no interior de Sergipe.
Por: Flávio Hora
Neste Dia das Mães, não podemos esquecer de honrar a história de quem, por décadas, foi e ainda é a "mãe" de centenas de crianças japaratubenses: a Professora Maria Pereira de Jesus.
Filha de Japaratuba, nascida em 1962, Maria conheceu as realidades de Santo Amaro das Brotas antes de fixar suas raízes definitivamente em nossa terra, ao lado do seu marido Jailson da Hora Santos (in memorian). Desde os anos 90, quando lecionava no "grupo de Dona", antes passando pela Escola Maria Amada de Encruzilhadas e por Malhada dos Bois, ela não apenas ensinou o ABC, mas moldou o caráter de gerações.
Como pedagoga, "Tia Maria" entende que educar é um ato de "cuidar". Esse dom natural, que transpôs as barreiras da sala de aula para acolher a mim, seu filho, e a tantos outros, é a essência do que defendemos. Ela não é apenas uma educadora do Estado; ela é uma educadora da alma regional.
Sua veia artesã e seu papel como incentivadora cultural mostram que a educação e a arte caminham juntas. Hoje, ao olharmos para sua trajetória, vemos a materialização do que buscamos: uma gestão baseada no amor e na valorização das nossas raízes.
Neste domingo, não celebro apenas minha mãe, mas a professora Maria Pereira, que até hoje atua na área, provando que a missão de educar é eterna. Obrigado, " Tia" Maria, por ser o alicerce da nossa história e a musa inspiradora do meu compromisso com a cultura e a educação.
A sala de aula, para certas mulheres, nunca foi apenas um espaço de quatro paredes e lousa de giz; sempre foi uma extensão da varanda de casa, um puxadinho do coração onde o verbo "educar" se conjuga exatamente como o verbo "maternar".
Existem professoras que carregam no molho de chaves não apenas o acesso às salas, mas o segredo de abrir sorrisos tímidos. São aquelas que, ao corrigirem um caderno, não buscam apenas o erro da gramática, mas tentam ler nas entrelinhas o que a criança não disse: a fome de pão, a sede de abraço ou o medo do escuro.
Essa "mãe de giz" é uma figura mística do nosso interior. Ela é quem traz o botão reserva para o uniforme que descasou, quem tem o remédio para o joelho ralado no recreio e, principalmente, quem possui o olhar que tudo vê. Ela sabe distinguir o choro de birra do choro de abandono. Ela entende que, muitas vezes, o aluno que mais desafia a sua paciência é justamente o que mais precisa da sua mão.
No balanço dos anos, essas mulheres formam uma prole que não cabe na árvore genealógica, mas transborda no reconhecimento das ruas. É o médico que a cumprimenta com reverência, o pedreiro que tira o chapéu ao vê-la passar e o escritor que, ao buscar a palavra certa, ainda ouve a voz dela ecoando baixinho, incentivando a primeira letra.
Maternar no ensino é um ato de resistência e de esperança. É acreditar que cada criança é uma semente de futuro, mesmo quando o solo parece seco. É ser o porto seguro para quem ainda está aprendendo a navegar nos mares das letras e da vida.
No final do dia, quando as luzes da escola se apagam, ela leva para casa o cansaço do ofício, mas também o calor de centenas de "tias" e "professora!" que soam como "mãe". Porque, para essas mestras, a maior lição nunca esteve nos livros, mas na certeza de que ninguém aprende nada se não for, primeiro, amado.


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