Neste Dia do Silêncio, provocamos uma reflexão: quando o silêncio é paz e quando ele é falta de transparência? Analisamos o cenário de Japaratuba e a gestão de recursos em Sergipe.
Hoje, 07 de maio, o calendário assinala o Dia do Silêncio. Para quem faz da escrita o seu ofício, o silêncio não é ausência; é matéria-prima. É no recolhimento da alma que personagens ganham fôlego e que as crônicas do nosso cotidiano regional encontram sua voz. No entanto, fora das páginas da literatura, o silêncio assume contornos mais sombrios. Em Japaratuba e em tantas outras cidades do nosso Sergipe, temos testemunhado um "silêncio administrativo" que, longe de ser reflexivo, é ensurdecedoramente omisso.
Há uma diferença abissal entre o silêncio do sábio e o silêncio do gestor que evita o escrutínio público. Enquanto o primeiro silencia para ouvir a própria consciência ou o clamor do povo, o segundo cala para esconder a ausência de planejamento ou o destino de recursos que pertencem a todos nós.
O Mistério das Outorgas e o "Cofre Mudo"
Um exemplo gritante desse vazio é a gestão dos recursos provenientes da outorga da Deso. Em diversas municipalidades do Vale do Cotinguiba, cifras vultosas entraram nos cofres públicos como uma promessa de redenção econômica. Contudo, o que se seguiu foi um silêncio técnico preocupante. Onde estão os cronogramas? Onde estão as audiências públicas para decidir as prioridades de investimento em emprego e renda?
Quando uma gestão silencia sobre o uso de fundos extraordinários, ela retira do cidadão o direito de auditar o futuro. Em Japaratuba, o uso do espaço público e a logística de eventos muitas vezes seguem a mesma lógica: decisões tomadas a portas fechadas, enquanto o povo aguarda uma resposta que nunca chega pelo canal oficial, mas apenas pelo ruído das conveniências políticas.
A Transparência como Antídoto
Quem trabalha com Contabilidade, sabe que a transparência é a "voz" da administração pública. Um balancete bem publicado fala mais que mil discursos de palanque. O silêncio sobre a folha de pagamento, sobre os contratos de prestação de serviço ou sobre a eficácia dos planos para a juventude é o sintoma de uma democracia anêmica.
Não podemos aceitar que o "Dia do Silêncio" seja a regra nos 365 dias do ano dentro das secretarias municipais. O jornalismo independente e a literatura de resistência existem justamente para quebrar esse gelo. Nossa missão é transformar esse vácuo de informações em perguntas que exijam respostas claras.
Conclusão: A Paz e a Palavra
Nesta data, busquemos o silêncio necessário para a nossa saúde mental e para a nossa conexão com as raízes culturais de Sergipe. Mas que fiquemos alertas: na praça pública, o silêncio do governante diante da dúvida do cidadão é uma forma de arrogância.
Que o nosso silêncio hoje seja apenas o fôlego necessário para que, amanhã, nossas cobranças por transparência ecoem com ainda mais força. Afinal, uma cidade que se cala diante da falta de informação está, silenciosamente, abrindo mão do seu próprio destino.
Informe: as imagens são meramente ilustrativas, criadas por inteligência artificial.


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