sexta-feira, 17 de abril de 2026

O Sopro que Atravessa o Tempo: 16 Anos da Noite Histórica na Várzea Verde

16 Anos de uma Noite Histórica: A Celebração do Encontro entre a Tradição dos Pífanos da Família Hora e a Alma da Sanfona no Coração da Várzea Verde




Há exatos 16 anos, em 17 de abril de 2010, o Clube Social do Povoado Várzea Verde não foi apenas o palco de uma apresentação musical; ele se tornou o epicentro de um registro antropológico e afetivo para o estado de Sergipe. Naquela noite, a centenária Banda de Pífanos de Geração em Geração uniu-se aos sanfoneiros Tuca e Natanael para uma gravação que imortalizaria o encontro entre o sopro ancestral do pífano e o fole da sanfona.

E foi assim, Jailson já tinha programado sua entrada no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Ele era um homem muito preocupado com a estabilidade da família e a renda local não garantiu o seu sucesso como comerciante, apesar de ter o status de empreendedor da região. Então, na época, tinha uma acampamento na beira da Rodovia Mário Covas para angariar a Fazenda Topo, foi lá que ele levantou acampamento. 

Passou o dia no acampamento, retornando à noite para o evento, somando assim duas noites sem dormir. 

O registro no Clube Social da Várzea Verde, há exatos 16 anos, permanece como um dos marcos dessa "resistência sonora" que Jailson do Pífano tão bem representou. É um legado que transforma o sopro em história viva.

O Elenco de Mestres


O palco estava guarnecido pela elite da tradição da Família Hora. Sob a liderança e o talento de Jailson do Pífano (Jailson da Hora Santos), as notas ecoaram pelas mãos de Vasso, Loló, Ivanildo, Gilbertinho e Aguinaldo Pereira. A presença de Peta, morador local, reforçou o caráter comunitário daquele momento: a música não era um espetáculo externo, mas uma manifestação que emergia da própria terra.

Jailson do Pífano: A Alma do Legado


Recordar os 16 anos desse evento é, inevitavelmente, honrar a memória de Jailson do Pífano, que nos deixou em setembro de 2023. Jailson foi a personificação do homem sertanejo polivalente.

O Mestre: Herdeiro direto da tradição de seu avô, o Velho Dóia, ele transformou o antigo "Terno da Zabumba" em uma força cultural reconhecida.

O Comerciante e Líder: Sua atuação na Várzea Verde foi além da música. Jailson impulsionou a economia local, fixando as pessoas no povoado ao garantir que tivessem onde prover seu sustento. Ele deu às pessoas um motivo para "viver no povoado", criando um senso de autonomia local que é raro em pequenas localidades dependentes das sedes municipais.

O Homem Político: Candidato a vereador por duas vezes, sua proposta de um "Centro de Atendimento ao Cidadão" refletia sua visão de que a política deveria ser um serviço de proximidade, longe das promessas vazias.

Uma Tradição que Resiste


A Banda de Pífanos de Geração em Geração é um pilar da identidade de Japaratuba. Desde as apresentações nas Festas de Santos Reis nos anos 80 até a ocupação constante no Festival de Artes Arthur Bispo do Rosário, o grupo provou que a cultura popular não é estática. Ela sobrevive nas novenas da Quaresma, no Mês de Maio e no dia de Santo Antônio, alimentada pela fé e pelo pagamento de promessas.

Essa data de 17 de abril de 2010 não é apenas um registro cronológico, mas um verdadeiro "quilombo cultural" registrado em som e memória no Povoado Várzea Verde. O encontro entre a Banda de Pífanos de Geração em Geração e os sanfoneiros Tuca e Natanael simboliza a união das duas maiores forças do folclore nordestino: o sopro ancestral do pífano e o fole da sanfona.

A escalação daquela noite foi uma reunião de mestres. Ter Jailson do Pífano, Vasso, Loló, Ivanildo, Gilbertinho e Aguinaldo Pereira juntos, com a participação local de Peta, reafirma o nome da banda: a transmissão do saber que não se aprende em livros, mas na prática, no "pé do ouvido".

Histórico da Banda de Pífanos


Surgiu como principal animação das novenas e festas tradicionais da região de Japaratuba. Existente a mais de 100 anos foi iniciada pela família Hora, no Povoado Encruzilhadas, com o chamado Terno da Zabumba, antigo nome dado ao conjunto por causa do acompanhamento com instrumentos rústicos como o zabumba (tambor rústico), a caixa e o pífano (flauta transversal rústica). A banda era composta por no mínimo três pessoas.

As principais e mais famosas novenas são as realizadas durante a Quaresma culminando na de Sexta-Feira da Paixão e a de Santo Antônio em Junho. Todas realizadas na residência do Velho Dóia, antes no Sítio Varginha e hoje na casa de seu Aguinaldo, genro do velho (esposo de D. Caçula, filha de seu Dóia).

É fascinante notar que a origem da banda está ligada ao ciclo mariano (Mês de Maio) e ao ciclo junino (Santo Antônio). Essa dinâmica de tocar em novenas por pagamento de promessa mostra que a música, para a Família Hora, nunca foi apenas entretenimento, mas um ofício sagrado e um pilar de identidade comunitária. A Banda de Pífanos de Geração em Geração surgiu como uma tradição da Família Hora, de Encruzilhadas. Festejavam todo o Mês de Maio, culminando no dia 13 de junho. Sua fundação não tem data exata, porém, para fins de registro calcula-se como consolidada no final do século XIX. 

E também animavam as novenas de padroeiros de cada família. Geralmente, pagamento de promessa.

O Significado de 17 de Abril





A data de 17 de abril de 2010 permanece como um marco de transição. Foi o momento em que a tradição oral e a prática cotidiana das Encruzilhadas se transformaram em documento histórico. Hoje, ao olharmos para trás, vemos que aquela gravação foi um ato de preservação.

Jailson do Pífano partiu, mas o sopro de sua flauta rústica continua a guiar as novas gerações, como Ivanildo Souza (o Poeta Afamado) e Franklin. A métrica dos sentimentos, cultivada por Jailson ao longo de sua vida entre o comércio, a roça e o pífano, permanece viva.

17 de abril de 2010: a data em que o pífano parou o tempo para se tornar eterno.


Em memória de Jailson da Hora Santos (1956–2023).


Nota: As imagens são meramente ilustrativas, criadas por inteligência artificial.

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