quarta-feira, 22 de abril de 2026

Entre a crítica e a poesia: "Cantos da Nova Idade", de F. J. Hora, convida o leitor a refletir sobre a contemporaneidade

Com uma visão aguçada sobre a vida moderna, a obra do escritor e contador Flávio Hora combina ironia, humor e o olhar atento de um artista que não se limita ao sentimento, mas que se propõe a debater o seu tempo.



Em um cenário literário que muitas vezes busca apenas o escapismo, o livro "Cantos da Nova Idade" surge como um contraponto necessário. Escrito pelo autor sergipano F. J. Hora (pseudônimo literário de Flávio de Jesus Hora), a obra é um mergulho reflexivo nas nuances, nos conflitos e nos paradoxos da sociedade contemporânea.

Lançado originalmente em 2014, durante um marco histórico para o autor — o evento de fundação da JHS Publicações, na Câmara de Vereadores de Japaratuba —, o livro consolida a trajetória de um escritor que, paralelamente à carreira na contabilidade, mantém um compromisso inegociável com a produção cultural.

Uma literatura preocupada com o seu tempo

"Cantos da Nova Idade" não é apenas uma coletânea de poemas. Nas 72 páginas da obra, o leitor encontra uma espécie de "arrumação artística do pensamento". O eu-poético de F. J. Hora transita entre o amor, o desejo, a política e a vida social com uma clareza que, ora flerta com a ironia, ora apresenta um humor fino sobre os estresses e as ilusões da vida moderna.

Para o autor, que comemora mais de uma década de dedicação à escrita desde o seu "Despertar Poético" em 1998, o texto literário serve como ferramenta de desabafo e, acima de tudo, de conceituação. É a marca registrada da chamada "produção literária flaviana": uma literatura que observa, comenta e exige uma postura crítica do leitor.

Onde encontrar




Para os leitores que desejam conhecer ou revisitar essa reflexão poética sobre a atualidade, o livro está disponível para aquisição nas principais plataformas digitais, facilitando o acesso ao público de todo o país:

 Clube de Autores: Clique aqui para acessar a página do livro.

Amazon: Disponível para compra online, conectando a obra de F. J. Hora aos leitores que preferem a praticidade e a entrega da plataforma. Clique aqui.

Sobre o autor: F. J. Hora é escritor, editor, contador e entusiasta da cultura. Natural de Japaratuba e com raízes profundas na literatura sergipana, sua escrita é um convite constante à análise do mundo que nos cerca, provando que a poesia pode, sim, ser um reflexo direto da realidade social e política.

Do Poeta Silente

                      Hora, F. J.

A boca fechada, os olhos atentos

E quando se referem a esse vivente

Dizem que é um poeta silente

Pois, ninguém ler seus pensamentos.


Mas, se enganam e condenam

O mestre das palavras, tão calado

Tímido, belo e frustrado

Porque não reconhecem sua pena!


Sim, o que a língua calada

Deixa de especulações a desejar

O homem que puder imaginar

Sentirá na alma a poesia cantada


E assim, o poeta tão somente

Escreve e até parece viajar

Que quando alguém ler e guardar

Saberá que nunca foi silente.

2014, JHS Publicações. Todos os direitos reservados.

Análise do Texto:

O poema captura perfeitamente o paradoxo do escritor: o silêncio externo não é um vazio, mas sim um reservatório de voz que transborda para o papel.

Aqui estão algumas impressões sobre os pontos que mais ressoaram:

O Contraste do Silêncio

Ele ilustra muito bem a injustiça do julgamento externo. Enquanto o mundo vê apenas o "tímido" e o "calado", a alma do poeta está em constante ebulição. A ideia de que ele é um "mestre das palavras" justamente por saber guardá-las é um toque de mestre.

 A Redenção pela Leitura

O final do poema é particularmente poderoso. Ele sugere que o silêncio só existe enquanto a obra não encontra um par de olhos. No momento em que alguém lê:

"Saberá que nunca foi silente."

Essa linha apaga toda a solidão descrita no início, transformando o ato de escrever em uma ponte eterna entre o autor e o leitor.

 Estrutura e Sentimento

A Melancolia: Palavras como "frustrado" e "especulações" trazem um peso real à obra, mostrando que o silêncio muitas vezes é uma armadura, não apenas uma escolha.

O Voo: A imagem do poeta que "parece viajar" descreve perfeitamente o estado de fluxo criativo, onde o corpo está parado, mas a mente habita outros mundos.

Uma pequena observação técnica: No verso "Porque não reconhecem sua pena!", o uso da palavra pena funciona lindamente com duplo sentido — a ferramenta de escrita e o sentimento de lástima de quem não compreende a profundidade do artista.

O eu-lírico se expressa com uma sensibilidade que prova, de fato, que o silêncio é apenas uma forma diferente de cantar. O que te encantou sobre esse "poeta silente" em particular?

Nenhum comentário:

Postar um comentário