Postulante pelo partido Missão pecou na precisão técnica ao falar sobre segurança pública e clima, enquanto recorreu a retóricas radicais durante sabatina na TV Globo.
Imagem meramente ilustrativa
Em mais um episódio da série de entrevistas com os candidatos à Presidência da República nas Eleições 2026, o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e postulante pelo partido Missão, Renan Santos, enfrentou questionamentos conduzidos por César Tralli e Renata Vasconcellos após o Jornal Nacional. O candidato centralizou suas falas na pauta da segurança pública, mas evitou abordar temas controversos de seu próprio plano de governo, como o fim do Bolsa Família e propostas de "desfavelização".
A tentativa de "direitizar" o social para não extingui-lo representa o grande dilema da proposta dos candidatos de direita e extrema direita, pois, a Assistência Social está na Constituição de 1988. Portanto, é um direito constitucional do brasileiro.
Durante a sabatina, o candidato pecou pela falta de precisão técnica ao ser confrontado sobre a execução de suas propostas. No campo da segurança, afirmou não haver dispositivos legais no país para manter lideranças de facções criminosas presas, além de ter atribuído a responsabilidade de combate ao feminicídio e à violência infantil prioritariamente aos governos estaduais. Ao ser cobrado pela ausência de plano focado em emergências climáticas, sustentou erroneamente que todos os municípios e estados do país já dispõem de legislação específica sobre o tema.
Análise: Deslizes factuais e a estratégia de alinhamento à extrema-direita
A participação de Renan Santos revelou uma dupla fragilidade: a contradição entre o discurso técnico e a realidade legal do país, combinada a uma clara tática de aceno às pautas da extrema-direita.
- Desconhecimento do Ordenamento Jurídico: A alegação de que o Brasil não possui meios de segurar criminosos de alta periculosidade ignora leis fundamentais já em vigor, como a Lei de Organizações Criminosas (Lei nº 12.850/2013) e a Lei de Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/1990) — que regem o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e impõem duras restrições a benefícios. Do mesmo modo, ao negar o papel da União na proteção da mulher e da infância, o postulante ignorou a coordenação federal em políticas de direitos humanos e segurança pública.
- Negação da Urgência Climática: O desconhecimento sobre a real situação dos municípios em relação ao clima evidencia uma lacuna programática. Mapeamentos oficiais do IBGE e do Ministério do Meio Ambiente mostram que a maioria dos municípios brasileiros não possui plano diretor de mitigação de desastres, revelando falha na fundamentação das propostas apresentadas.
- Mimetismo e Alinhamento à Extrema-Direita: A tentativa de Renan Santos de se desvincular do bolsonarismo esbarra na reprodução exata de suas dinâmicas de comunicação. O foco obsessivo no punitivismo estatal, a simplificação retórica de que a lei "não funciona" no Brasil e a fuga de debates sociais estruturantes (omitindo propostas impopulares do seu programa) mantêm o candidato alinhado ao eleitorado radical. Ao centrar forças no combate ostensivo e ignorar o pacto federativo e as diretrizes climáticas, o Missão repete a cartilha da extrema-direita: prioriza a comunicação de pânico e o populismo penal em detrimento das ferramentas constitucionais e institucionais do Estado Democrático de Direito.


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