Candidato do PSD desvia de temas econômicos, enfrenta bancada e aposta no ataque ao PT para tentar se firmar como terceira via
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) foi o segundo entrevistado da série de sabatinas promovidas pela TV Globo com os presidenciáveis. Durante a entrevista, o goiano tentou se apresentar como uma alternativa de "terceira via" no cenário político, mas adotou uma postura marcada por constantes embates com os apresentadores, desvio de questionamentos centrais sobre economia e visível nervosismo.
Ao longo da transmissão, Caiado reagiu de forma ríspida às interrupções da bancada formada por César Tralli e Renata Vasconcellos, que buscavam respostas diretas para os temas propostos. Em diversos momentos, o candidato ignorou as perguntas feitas pelos jornalistas para repetir bordões de sua gestão estadual, gerando forte repercussão negativa nas redes sociais. A linguagem corporal do presidenciável — que apresentou mãos trêmulas e evitou contato visual em trechos decisivos — também foi bastante comentada pelo público.
A estratégia de equiparar os polos da política nacional serviu de pano de fundo para a participação de Caiado, que buscou atacar tanto a atual gestão federal quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro, tentando abrir caminho entre os dois eleitorados.
Análise: Sem plano de governo, restou o antipetismo de sempre
A participação de Ronaldo Caiado expôs uma fragilidade estrutural que vai além do desempenho diante das câmeras: a ausência completa de um projeto de país que vá além do discurso oposicionista. Ao se esquivar sistematicamente de detalhar como pretende conduzir a economia, lidar com a inflação ou gerir as contas públicas, o candidato demonstrou que sua candidatura carece de conteúdo programático próprio.
O que se viu na bancada da Globo não foi a apresentação de uma verdadeira "terceira via" moderada e propositiva, mas sim a repetição das velhas táticas do antipetismo visceral que marcaram sua trajetória política. Ao usar o tempo do horário nobre para atacar o PT e fugir dos questionamentos sobre governabilidade, Caiado deixou evidente que seu motor eleitoral continua sendo o ressentimento ideológico. Sem propostas concretas para apresentar ao eleitorado, o candidato do PSD revela-se apenas mais uma peça na engrenagem da rejeição — um nome que sabe exatamente contra quem luta, mas que não consegue dizer para onde quer levar o país.


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