DIÁRIO DA CULTURA
Domingo, 12 de Julho de 2026 | Obituário
Consagrado pelo papel do Professor Astromar na icónica novela de 1985, o artista encontrava-se internado na Zona Norte do Rio de Janeiro. A causa do falecimento não foi divulgada.
Desde 2019 que Rui Rezende residia no prestigiado Retiro dos Artistas, uma instituição histórica em Jacarepaguá que acolhe e apoia profissionais das artes seniores de forma digna. No local, o ator desfrutava de um ambiente tranquilo e cercado por colegas de profissão com quem partilhou décadas de memórias nos palcos e nos estúdios de gravação.
O Eterno Professor Astromar
Nascido em Araguari, Minas Gerais, em 1937, Rui Rezende construiu uma carreira sólida no teatro, no cinema e na televisão, mas foi no ano de 1985 que eternizou o seu nome na cultura popular. Ao interpretar o dúbio e misterioso Professor Astromar na telenovela *"Roque Santeiro"*, escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva, Rezende capturou a imaginação de milhões de espectadores.
Astromar, o intelectual da fictícia cidade de Asa Branca, carregava o segredo mais temido da região: era ele a criatura folclórica que aterrorizava os habitantes nas noites de lua cheia. A transformação e o mistério em redor do "Lobisomem de Asa Branca" tornaram-se num dos maiores trunfos de audiência da produção, garantindo ao ator um lugar cativo na memória coletiva do público.
"O mistério do Professor Astromar e o medo do Lobisomem uniam o humor ao terror de uma forma que só o talento de Rui Rezende conseguia equilibrar com tamanha genialidade na televisão."
Uma Carreira de Dedicação às Artes
Embora o Lobisomem tenha sido o seu papel de maior impacto popular, a versatilidade de Rui Rezende estendeu-se por dezenas de outros trabalhos de relevo. Na televisão, integrou o elenco de produções marcantes como "O Espigão" (1974), "Saramandaia" (1976) — onde também lidou com o realismo fantástico —, "A Gata Comeu" (1985), "Hipertensão" (1986) e "A Favorita" (2008), além de participações especiais em séries e minisséries de sucesso.
No cinema, Rezende fez parte de produções cruciais, destacando-se em fitas como "O Caso Cláudia" (1979) e "A Marvada Carne" (1985). O seu percurso foi sempre pautado pela entrega profunda a personagens de forte cariz psicológico ou de acentuada veia cómica e teatral.
As cerimónias fúnebres deverão ser restritas à família e aos amigos próximos. Com a sua partida, encerra-se mais um capítulo dourado da era clássica da televisão, restando o legado de um artista que soube, como poucos, transformar o fantástico em realidade aos olhos do público.

Nenhum comentário:
Postar um comentário