sábado, 11 de julho de 2026

Drama em Miami: Bellingham comanda virada da Inglaterra sobre a Noruega na prorrogação

Com atuação gigantesca de seu meio-campista e muita polêmica do VAR, a seleção britânica põe fim ao sonho de Haaland e companhia no Mundial.





Por Flávio Hora

A Inglaterra está na semifinal da Copa do Mundo de 2026. Em uma partida dramática de tirar o fôlego no Hard Rock Stadium, em Miami, a seleção comandada por Thomas Tuchel superou a valente e perigosa Noruega por 2 a 1 na noite deste sábado. Após o empate em 1 a 1 no tempo regulamentar, a estrela do meio-campista Jude Bellingham brilhou intensamente na prorrogação para selar a classificação britânica.

O jogo de hoje no Hard Rock Stadium escancara uma mudança profunda de prateleiras no futebol mundial e joga uma luz fascinante sobre o "fantasma" que a Noruega sempre representou para nós, brasileiros.

Historicamente, a Noruega construiu sua fama no Brasil como uma "pedra no sapato" inexplicável. O torcedor brasileiro se lembra bem do famigerado tabu: somos pentacampeões do mundo, mas nunca vencemos a Noruega na história. O ápice disso foi a derrota na Copa de 1998, onde uma seleção norueguesa pragmática, baseada na força física, no chuveirinho e em bolas longas para o grandalhão Tore André Flo, conseguiu desbancar o talento puro do Brasil de Ronaldo e Rivaldo. Naquela época, o nó tático da Noruega contra o Brasil era o confronto direto do pragmatismo físico europeu contra a ginga técnica sul-americana, que muitas vezes pecava pela soberba ou desorganização defensiva.

Agora em 2026, 28 anos depois, o tabu não foi quebrado. O 5 de julho tem história para a Amarelinha. Diante da Seleção Brasileira, a Noruega jogou com o manual debaixo do braço. Sabendo da pressão histórica e da desorganização que costuma abater o Brasil em momentos de pane defensiva, Haaland foi o ponta de lança de uma equipe que soube ser vertical e cirúrgica. O Brasil perdeu para a Noruega porque sucumbiu à imposição física e à incapacidade de conter um centroavante geracional. Faltou ao Brasil o estofo de saber sofrer e controlar os ritmos do jogo, algo que a atual geração europeia faz com maestria.

O confronto de hoje contra a Inglaterra de Thomas Tuchel, no entanto, mostrou uma Noruega completamente diferente, e por isso o desfecho foi outro. A Noruega atual não é mais aquele time sem brilho técnico que só aposta no balão para a frente. Hoje, eles têm talento geracional com Martin Ødegaard e a letalidade absurda de Erling Haaland. O primeiro tempo mostrou uma Noruega corajosa, que marcou em linhas altas e soube castigar os ingleses no gol de Schjelderup.

A diferença crucial é que a Inglaterra de hoje não se assusta com a imposição física ou com o talento individual nórdico, porque os ingleses aprenderam a jogar o "futebol total" moderno. A seleção inglesa atual une a intensidade física da Premier League com um controle mental absurdo. Mesmo com a Noruega jogando em alto nível e o VAR incendiando a partida, a Inglaterra manteve a frieza. Onde o Brasil de 98 sucumbiu psicologicamente e taticamente, a Inglaterra de 2026 teve Jude Bellingham — um jogador que dita o ritmo, tem estofo europeu de Champions League e decide jogos grandes na base da pura maturidade competitiva.

Se a Noruega teve Haaland para derrubar o Brasil, a Inglaterra teve Jude Bellingham para anular o ímpeto norueguês. O camisa 10 inglês chamou a responsabilidade, buscou o empate no final do primeiro tempo e, demonstrando a frieza que separa os campeões dos coadjuvantes, selou a virada na prorrogação.

Em suma, o jogo de hoje prova que a Noruega evoluiu tecnicamente em comparação àquela que enfrentava o Brasil, mas a Inglaterra subiu um degrau na cadeia alimentar do futebol. Enquanto o Brasil historicamente sofria com o "estilo chato" dos noruegueses, a Inglaterra tratou a Noruega como uma potência emergente, suportou a pressão e venceu na bola, na tática e no físico durante a prorrogação. O tabu da Noruega com o Brasil segue vivo na história, mas os ingleses mostraram hoje que, no futebol moderno de altíssimo nível, o pragmatismo aliado ao talento técnico (na figura de Bellingham) ainda fala mais alto.

A Noruega provou que tem futebol para ferir os gigantes que vivem de passado e de camisas pesadas, como o Brasil atual. No entanto, quando cruzou com uma Inglaterra moderna, intensa e mentalmente inabalável, o time de Haaland sentiu o peso de um coletivo mais consolidado.

Para o torcedor brasileiro, fica o gosto amargo: o mesmo 2 a 1 que nos mandou de volta para casa de forma melancólica foi o placar que os ingleses, com paciência, tática e a genialidade de Bellingham, usaram para domar os leões escandinavos e marchar rumo à semifinal.

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