O "Doutor" do WhatsApp e a Fábrica de Pobres-Premium
O mundo mudou, mas o roteiro é o mesmo. Antigamente, para entender de economia, você precisava de um livro grosso e três cafés. Hoje? Meio vídeo de um influenciador com um jatinho ao fundo e pronto: você já está pronto para explicar por que a taxação de jatinhos é o que vai impedir você — que vai de ônibus para o trabalho — de ficar milionário.
É a era do "Orgulho da Ignorância". O intelectual virou o "preguiçoso das ideias". Afinal, para que gastar neurônio com materialismo histórico se você pode apenas repetir que "justiça social é coisa de quem não gosta de acordar cedo"?
A retórica é um espetáculo de mágica: A elite financeira convence o sujeito de que o verdadeiro inimigo dele não é o juro do cartão de crédito ou a falta de saneamento, mas o "fantasma do comunismo" que vai expropriar a sua bicicleta aro 26.
Enquanto isso, o "Doutor do WhatsApp" — aquele que se orgulha de nunca ter aberto um livro de sociologia, mas "manja tudo de mercado" — jura de pé junto que os super-ricos são seres benevolentes. "Eles são os provedores!", diz ele, emocionado. Na cabeça desse cidadão, o bilionário não quer lucro; ele quer apenas, do fundo do seu coração de ouro, gerar empregos para que o pobre possa, um dia, comprar um curso de "Como ser um Leão em um Mundo de Ovelhas".
O segredo do poder atual é genial: terceirizaram a defesa da elite.Não é mais o patrão que diz que o salário está alto; é o próprio funcionário, com sede de "meritocracia", que defende o patrão no Facebook, achando que, se ele latir alto o suficiente para os intelectuais, ganha uma vaga no camarote da riqueza.
É o triunfo da distorção proposital. O sujeito não quer ser independente, ele quer ser um "pobre-premium". Ele troca a reflexão filosófica por um post de autoajuda e o espírito científico por uma teoria da conspiração bem temperada.
No fim, a elite ri, toma seu vinho de 5 mil reais e agradece: "Graças a Deus que eles acham que estudar é coisa de comunista. Assim, a gente continua sendo dono das máquinas... e das opiniões deles também."
Moral da história: Se o seu conhecimento vem de quem ganha dinheiro com a sua ignorância, parabéns: você não é um investidor, você é o investimento.

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