O Labirinto da Divisão: Reflexões sobre o 8 de Janeiro e o Espelho da Nação
A história costuma ser escrita com o passar das décadas, mas há momentos que queimam a retina do tempo com tamanha intensidade que exigem reflexão imediata. O 8 de Janeiro (2023) não foi apenas uma data no calendário civil; tornou-se o ápice de uma fratura exposta na alma brasileira.
Utilizando a máxima bíblica citada em Mateus 12:25, "Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado", fica claro que o que se viu em Brasília foi o resultado de uma casa que parou de se reconhecer como um lar comum.
Entendemos que a luta de classes operários versus burguesia é legítima, pois, o capitalismo só existe porque explora e suga o trabalhador e fica com o trabalho não pago como lucro. Portanto, não se trata de uma polarização maléfica, mas, uma classificação política necessária para que a luta social tenha seu objetivo cumprido.
A luta de classes saiu do campo ideológico e político para excessivos interesses pessoais, saindo do campo da civilidade para entrar na bárbarie e na reação brutal e violenta contra quem pensa o contrários dos interreses da classe dominante.
A Contradição dos Atos e o Peso dos Valores
A análise dos fatos revela uma série de paradoxos que desafiam a lógica da convivência democrática e da própria fé professada por muitos dos envolvidos:
O Falso Patriotismo: O conceito de pátria reside no zelo pelas instituições e pelo patrimônio que pertence a todos. Depredar as sedes dos Três Poderes sob o manto da bandeira nacional é uma contradição em termos. Não se protege uma nação destruindo seus alicerces físicos e simbólicos.
O Cristianismo e a Violência: É alarmante observar discursos que se dizem cristãos, mas que flertam com o autoritarismo e a exaltação de meios violentos. A retórica do "derramamento de sangue" é o oposto do "amar ao próximo", revelando que, em muitos casos, a ideologia política sequestrou a espiritualidade.
O Peso das Críticas: Existe uma seletividade retórica latente. Grupos que historicamente condenam invasões de propriedades privadas — como as críticas direcionadas ao MST — viram-se, ironicamente, ignorando ou justificando a invasão e depredação da maior "propriedade" do povo brasileiro: o centro administrativo do Estado.
O Espelho Externo e a Fragilidade Interna
A comparação com potências como os Estados Unidos traz uma reflexão amarga. Enquanto o império norte-americano, apesar de suas contradições e histórico de intervenções, mantém uma coesão interna baseada na preservação rigorosa de suas instituições, o Brasil parece sucumbir ao ódio fratricida.
A idolatria ao estrangeiro somada à normalização de atos brutais praticados em outros territórios demonstra uma perda de identidade nacional. Quando o cidadão passa a admirar a força bruta externa em detrimento da diplomacia e da ordem interna, ele deixa de ser um patriota para se tornar um súdito de ideias alheias.
O Veredito da História: Traição ou Despertar?
O 8 de Janeiro será lembrado como um ato de traição à pátria, não apenas pelo dano material aos prédios de Niemeyer, mas pela tentativa de silenciar o voto e a vontade popular através do caos. O ódio político e o antipetismo radicalizado cegaram a percepção de que governantes são passageiros, mas as instituições devem ser perenes.
A verdadeira reconstrução do Brasil não passa apenas por reformas econômicas ou políticas, mas por uma reforma ética e civilizatória. É preciso decidir se continuaremos a ser uma casa dividida — e, portanto, fadada à ruína — ou se seremos capazes de discordar sem destruir o chão onde todos pisamos.
O maior inimigo de uma nação não é o adversário político do outro lado da rua, mas a incapacidade de reconhecer que ambos pertencem à mesma terra.
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