A polarização extrema muitas vezes empurra o eleitor para escolhas baseadas na rejeição ao "outro", o que pode mascarar riscos institucionais severos. Tá na hora de eleger os prós e os contras e ver qual lado pesa mais na balança.
O cenário político brasileiro vive um momento de tensão onde o "voto por rejeição" tem ditado os rumos das urnas. No entanto, cientistas políticos alertam: quando o antipetismo se torna o único motor de escolha, ele pode abrir as portas para projetos de extrema direita que colocam em xeque a própria sobrevivência das instituições e da liberdade.
A Identidade por Oposição: Muitas vezes, o voto deixa de ser "a favor de um projeto" para ser "contra um inimigo". O antipetismo, em diversos momentos, tornou-se uma identidade política mais forte do que a adesão a qualquer outra ideologia específica. Quando o foco é destruir ou impedir o "outro", abre-se uma brecha para que propostas sem base democrática sólida sejam aceitas como o "único caminho".
O Nacionalismo como Camuflagem: O uso de símbolos patrióticos para validar discursos autoritários é um fenômeno clássico. Ao rotular a oposição como "inimiga da pátria", o projeto autoritário consegue:
* Desviar o debate de questões socioeconômicas reais.
* Criar uma sensação de pertencimento e heroísmo no eleitor.
* Justificar medidas de exceção sob o pretexto de "salvar a nação".
A Ausência do Projeto Coletivo: a falta de consciência sobre um projeto popular e coletivo fragmenta a sociedade. Quando o eleitor não se vê como parte de uma construção social de longo prazo, ele busca soluções rápidas e figuras messiânicas. O resultado é a entrega do poder a grupos que defendem a liberdade no discurso, mas que, na prática, trabalham para restringir direitos e concentrar poder.
A democracia só amadurece quando o debate sai do campo do "quem eu odeio" e entra no campo do "que tipo de país queremos construir juntos".
Da Luta de Classes ao Equilíbrio Democrático
Historicamente, a polarização política era desenhada pelo conflito de classes: operários versus burguesia. Nessa visão binária, supõe-se que a esquerda represente o socialismo revolucionário, enquanto a direita encarna o capitalismo neoliberal puro.
No entanto, a grande inovação do século XX para evitar o colapso das nações foi a Social Democracia (ou socialismo democrático). Ela surgiu como a verdadeira "terceira via", provando que é possível conciliar o desenvolvimento econômico capitalista com justiça social e bem-estar coletivo, sem recorrer a autoritarismos de nenhum dos lados.
Os Perigos da Extrema Direita
Diferente da direita tradicional ou conservadora, a extrema direita rompe com o pacto da social democracia e fragiliza o tecido social através de:
* Ataque às Instituições: Questionamento da legitimidade do sistema eleitoral e do Judiciário.
* Erosão de Direitos: Pautas que marginalizam minorias e atacam conquistas históricas em direitos humanos.
* Retórica de Confronto: Substituição do debate técnico pelo "inimigo interno", fomentando a violência política.
* Autoritarismo Disfarçado: O uso do voto para, uma vez no poder, desmantelar o sistema de freios e contrapesos (checks and balances).
Por que o Antipetismo Radical é Perigoso Hoje?
O sentimento de oposição ao PT é legítimo, mas quando se torna um "cheque em branco" para qualquer alternativa oposta, os riscos são altos:
* A Cega Escolha do "Qualquer Um": O desejo de afastar um partido pode levar o eleitor a ignorar o radicalismo perigoso de outro candidato.
* O Esvaziamento do Centro: A polarização sufoca a moderação. Sem o espaço da social democracia, o país perde a capacidade de negociar soluções pragmáticas para a economia e a educação.
* A Normalização do Absurdo: Para derrotar o "inimigo", muitos passam a aceitar discursos de ódio como um "mal menor", degradando a cultura política a longo prazo.
"A democracia não morre apenas por golpes; ela morre quando os cidadãos acreditam que a destruição do adversário justifica o fim das regras do jogo."
Conclusão: O Caminho da Estabilidade
Para quem defende que o PT não é o caminho, a solução não deve ser o salto no escuro do extremismo. O desafio é fortalecer alternativas que, inspiradas no equilíbrio da social democracia, respeitem a Constituição e foquem na união nacional. A alternância de poder é vital, desde que o sucessor não se proponha a destruir a própria escada democrática que o fez subir.
O primeiro turno das eleições é sempre usado como escudo, pois, permite fugir da polarização. Porém, no segundo turno se definem de que lado realmente está o eleitor, ou do lado da luta operária ou do lado dza zona de conforto da burguesia.
Quem venceu as eleições de 2022 foi a "Frente Ampla pela Democracia", um reconhecimento claro de que o PT, mesmo com o antipetismo acentuado de 2018, representava a única alternativa para vencer a extrema direita naquele momento. Portanto, foi um ato de bom senso da população baixar a guarda e optar pela democracia.
Terceira Via? Entre Socialismo revolucionário e Capitalismo neoliberal, existe a social democracia que equilibrar e fazer justiça social dentro do capitalismo. Tem como?

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