Nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, a advertência solene de Jesus no Sermão do Monte nos chama ao discernimento e à sabedoria nas nossas palavras e posições. Descubra como evitar o desgaste em debates políticos infrutíferos, onde o interesse coletivo e a busca pela verdade são ignorados em favor do fisiologismo e da defesa de privilégios pessoais nos bastidores da sociedade.
“Não deem o que é santo aos cães, nem joguem pérolas aos porcos; pois os porcos pisotearão as pérolas, e os cães se voltarão contra vocês e os atacarão.”
— Mateus 7:6
No nosso cotidiano nos deparamos com uma situação triste, mas que acontece com muita frequência quando o texto bíblico é lido ao pé da letra, sem a compreensão da linguagem de parabólica e da cultura da época. Essa reação da pessoa em se sentir ofendida mostra exatamente a falta de discernimento sobre o que Jesus estava ensinando.
Na cultura judaica daquela época, o cão de rua e o porco eram figuras simbólicas associadas à incapacidade de reconhecer o valor das coisas sagradas. O porco, por exemplo, não tem a capacidade biológica nem cognitiva de apreciar a beleza ou o valor de uma pérola; se você jogar uma pedra preciosa para ele, ele vai achar que é comida, verá que não dá para mastigar, vai pisotear e ainda pode avançar em você com raiva por ter sido enganado.
No Sermão do Monte, logo após ensinar sobre o perigo do julgamento hipócrita e da trave no olho, Jesus introduz uma máxima de sabedoria que exige profundo discernmento da comunidade. No texto original em grego, as "coisas santas" (to hagion) e as "pérolas" (margaritas) representam os ensinamentos sagrados, as verdades espirituais mais preciosas e os princípios da justiça do Reino. O uso metafórico de "cães" (kynas) e "porcos" (choirōn) no contexto judaico do primeiro século não era apenas uma referência aos animais considerados cerimonialmente impuros, mas uma caracterização moral de pessoas que demonstravam escárnio, hostilidade deliberada e incapacidade de valorar a verdade moral. Jesus adverte que insistir em entregar verdades elevadas a quem rejeita a ética e busca apenas a destruição resulta em dois males: a profanação do que é precioso, expresso pelo verbo "pisotear" (katapatēsousin), e o ataque agressivo ao próprio mensageiro, quando os opressores se "voltam" (straphentes) para despedaçar quem tentou instruí-los.
Trazer esse ensino de Mateus 7:6 para esta terça-feira, 15 de setembro de 2026, é um diagnóstico urgente sobre a nossa postura nos debates políticos da atualidade. Vivemos num cenário em que a discussão sobre o bem comum frequentemente se deteriora em bate-bocas infrutíferos, dominados pelo fanatismo partidário e pelo fisiologismo. O voto e a participação cidadã, que deveriam ser instrumentos nobres para promover a justiça social, a transparência e a melhoria da coletividade, são frequentemente apequenados por uma mudança de ótica egoísta: em vez de perguntar o que é melhor para o município, para o estado ou para o país, muitos passam a avaliar a política puramente pelo favorecimento particular, pelas promessas de empregos fáceis, vantagens pessoais ou pela defesa cega de grupos de poder. Tentar travar debates sérios sobre ética, bem público e princípios morais com quem já vendeu a sua consciência ao interesse privado é exatamente como lançar pérolas aos porcos: a verdade é pisoteada pela ganância, e a tentativa de diálogo racional só gera agressão, inimizade e desgaste inútil.
A aplicação prática desse ensinamento nos bastidores do nosso cotidiano exige discernimento e coragem para saber onde investir o nosso tempo e o nosso testemunho. Ser sábio nesta terça-feira significa não gastar energia em discussões estéreis em grupos de mensagens, nas praças ou nas redes sociais com pessoas que não querem a verdade, mas apenas defender o seu patrocínio ou atacar os seus adversários. O cristão consciente deve exercer a sua cidadania com sobriedade, mantendo o valor do seu voto firme na defesa do bem comum, da honestidade e da justiça social, sem se deixar contaminar pelo balcão de negócios que degrada a política. Nos bastidores da vida diária, a verdadeira maturidade consiste em calar diante da provocação de quem busca apenas a vantagem pessoal e reservar a nossa voz e o nosso esforço para dialogar com aqueles que sinceramente buscam edificar a sociedade e honrar a justiça.
Portanto, a figura linguagem não se refere ao "valor da pessoa" aos olhos de Deus — até porque Cristo morreu por todos —, mas sim à postura mental e ao estado de espírito em que a pessoa se encontra naquele momento. Quando alguém está cego pelo orgulho, tomado pelo fanatismo, interessado apenas no próprio benefício ou determinado a defender uma mentira, essa pessoa se torna incapaz de valorizar uma verdade elevada ou um conselho ético.
Nesta terça-feira, peça ao Pai celestial o dom do discernimento para guardar o seu coração e a sua mente das contendas políticas vazias. Lembre-se de que a verdade, o caráter e a fé são preciosidades que não devem ser lançadas no lamaçal da conveniência e da barganha eleitoral. Quem cultiva a sabedoria de Cristo aprende a afastar-se da agressividade dos debates infrutíferos, foca a sua vida na prática do amor e da integridade e usa a sua liberdade para promover transformações reais e abençoadas ao seu redor.
Você tem gasto a sua energia tentando convencer quem só busca o interesse particular na política, ou tem guardado as suas "pérolas" para promover o bem comum com sabedoria e discernimento no seu dia a dia?

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