quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O Despertar da Alma e o Azeite que Não Pode Faltar

Nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, a convergência entre o alerta do apóstolo Paulo aos Romanos e a Parábola das Dez Virgens em Mateus 25 nos faz um chamado urgente contra a tibieza e o desleixo espiritual. Descubra por que a verdadeira prudência exige vigilância diária e a busca constante pela presença de Deus nos bastidores da nossa vida.




“E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. A noite é avançada, e o dia está próximo. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz.”

— Romanos 13:11,12


Passagem importantíssima sobre a vigilância e a comunhão com Deus. Vamos refletir sobre o contexto histórico, a aplicação nos dias de hoje e também nos bastidores. Dessa forma podemos abrir a mente sobre o verdadeiro significado. 

No contexto histórico da carta aos Romanos, o apóstolo Paulo exorta uma igreja imersa na capital do império a manter os olhos abertos diante da decadência moral da época, usando a metáfora da transição da noite para a alvorada. No texto original em grego, a expressão "conhecendo o tempo" utiliza a palavra kairos, que se refere ao tempo oportuno, determinado e decisivo de Deus, e não ao simples passar das horas do relógio (chronos). O comando para "despertar do sono" (egerthenai ex hypnou) é um choque de realidade contra a apatia espiritual, aquela dormência em que a pessoa continua cumprindo rotinas, mas perdeu a sensibilidade para as coisas do Alto. Essa exortação paulina se conecta de forma perfeita ao discurso profético de Jesus em Mateus 25, na Parábola das Dez Virgens. Naquela tradição de casamento judaico, as virgens esperavam a chegada do noivo (nymphios) para a festa de bodas. O divisor de águas entre as prudentes (phronimoi) e as imprudentes (mōroi) foi o preparo preventivo: a reserva do azeite (elaion), o combustível que mantém a lâmpada acesa no meio da escuridão da noite. Enquanto as imprudentes acharam que dá para deixar o essencial para a última hora, as prudentes entenderam que a comunhão verdadeira e a fidelidade não são improvisadas no momento da crise.

Trazer essa mensagem bíblica para esta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, é um freio de arrumação necessário na nossa caminhada cotidiana. Vivemos numa sociedade que nos bombardeia com urgências passageiras, distrações digitais e compromissos frenéticos, fazendo com que o nosso coração vá adormecendo aos poucos para as coisas da fé. Nos bastidores da rotina — no trabalho, na família e nas decisões da vida pública —, é muito fácil cair na imprudência das cinco virgens descuidadas: ir adiando a vida de oração, acostumar-se com pequenos desvios de conduta e achar que dá para empurrar o compromisso com a verdade com a barriga. A noite da vida avança e o tempo passa rápido; viver no piloto automático espiritual é abrir margem para que a lâmpada da nossa fé se apague no exato momento em que mais precisarmos de luz e firmeza moral.

A aplicação prática desse ensinamento na nossa vida exige uma decisão diária de buscar azeite novo para a lâmpada da alma. O azeite representa a presença constante do Espírito Santo, a intimidade com a palavra de Deus, o arrependimento sincero e a prática da justiça no dia a dia. Esse combustível é individual e intransferível; ninguém pode orar por você, ter integridade por você ou viver a fé no seu lugar. Despertar do sono hoje significa rejeitar as obras das trevas — a mentira, a omissão, o egoísmo e a mágoa — e vestir-se das armas da luz (hopla tou phōtos), adotando uma conduta transparente, honrada e vigilante em cada ambiente que você frequentar.

Nesta quarta-feira, renove o seu compromisso com a prontidão e a sabedoria espiritual. Não espere a tempestade chegar ou a porta se fechar para procurar o azeite da graça e da transformação interior; busque ao Senhor no tempo presente, faça o bem com constância e guarde a sua lâmpada acesa com zelo. Quem caminha desperto e abastecido pelo Espírito não teme as incertezas do futuro nem o avançar da noite, pois vive preparado para encontrar o Noivo e participar da verdadeira festa da salvação.

O que tem ocupado tanto o seu tempo no dia de hoje a ponto de deixar a reserva de azeite da sua vida espiritual em segundo plano?

terça-feira, 1 de setembro de 2026

O Resumo de Toda a Lei e a Prática Concreta do Amor ao Próximo

Nesta terça-feira, 1 de setembro de 2026, a instrução central do apóstolo Paulo aos Romanos nos desafia a enxergar a moralidade cristã muito além de uma lista de proibições formais. Descubra como o mandamento de amar o próximo como a si mesmo resume a essência da lei e transforma radicalmente a nossa conduta ética, profissional e familiar nos bastidores do cotidiano.



“Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.”

— Romanos 13:9,10


No contexto histórico em que a carta aos Romanos foi escrita, a comunidade de fé em Roma vivia sob um ambiente de intensa polarização política, tensões culturais e pressões do Império Romano. Nesse cenário, tanto os crentes vindos do paganismo quanto os de origem judaica muitas vezes se perdiam em discussões intermináveis sobre regras, rituais, observâncias de calendários e minucias legais. O apóstolo Paulo corta o mal pela raiz ao resgatar o cerne da Lei de Moisés — especificamente a segunda tábua do Decálogo, que trata das relações humanas —, sintetizando os mandamentos que proíbem o adultério, o homicídio, o furto, o falso testemunho e a cobiça em um único princípio absoluto. No texto original em grego, a palavra traduzida como "resume" é anakephalaiootai, que carrega a ideia de recapitular, encabeçar ou reunir todas as partes dispersas sob um único eixo fundamental. Paulo argumenta que o amor (agapē) não é um sentimento vago, romântico ou passageiro, mas uma atitude prática e concreta que "não faz mal ao próximo" (kakon ouk ergazetai), tornando-se o verdadeiro cumprimento (plērōma) de toda a exigência moral e jurídica diante de Deus.

Trazer essa verdade de Romanos 13:9-10 para esta terça-feira, 1 de setembro de 2026, é um antídoto indispensável contra a frieza, o egoísmo e a hipocrisia que tantas vezes contaminam a nossa convivência em sociedade. Nos bastidores da nossa rotina — seja no atendimento aos clientes no escritório de contabilidade, nas discussões da vida pública, nos negócios ou no convívio familiar —, é muito fácil cair na armadilha de cumprir apenas a letra da lei para manter a aparência de correção, enquanto por dentro se nutre a indiferença ou o prejuízo disfarçado ao próximo. A exortação paulina nos lembra que a verdadeira justiça não se resume a evitar o crime ou o escândalo público para não ser pego; ela exige que nossas ações diárias sejam guiadas por um compromisso real com o respeito, a integridade e o bem-estar de quem está ao nosso redor. Quem ama de verdade não trai a confiança do parceiro, não puxa o tapete do colega de trabalho, não espalha boatos que destroem reputações e não usa de esperteza para tirar vantagem sobre os mais vulneráveis.

A aplicação prática desse ensinamento na vida cotidiana exige de nós um exame diário e sincero de intenções e atitudes. Significa olhar para as pessoas com quem cruzamos hoje não como concorrentes ou obstáculos, mas como próximos que merecem justiça, retidão e consideração. Quando você for fechar um contrato, redigir um relatório, resolver um impasse familiar ou emitir uma opinião, pergunte a si mesmo se a sua atitude está construindo pontes ou causando algum tipo de dano, seja ele material, moral ou emocional. O cumprimento da lei não acontece na teoria dos grandes discursos, mas nas pequenas escolhas dos bastidores, onde a nossa honestidade é testada quando ninguém está olhando.

Nesta terça-feira, permita que o princípio do amor prático oriente cada decisão e cada palavra sua. Recuse a tentação de usar as brechas da lei para justificar a esperteza ou a insensibilidade com a dor alheia, e firme o seu passo no caminho da integridade. Quem vive o verdadeiro amor ao próximo não precisa temer balanças falsas nem palavras vazias, pois cumpre com naturalidade a essência de toda a justiça que vem do alto.

Qual é a relação ou o compromisso no seu dia a dia em que você tem aplicado apenas o mínimo exigido pela lei, em vez de tratá-lo com a responsabilidade e o cuidado genuíno do amor ao próximo?

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O Propósito Maior que Conduz Todas as Coisas e a Certeza da Providência

Nesta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, a promessa do apóstolo Paulo no livro de Romanos traz uma ancoragem firme para enfrentar os altos e baixos da vida. Descubra por que a fé genuína não nos isenta das lutas diárias, mas nos dá a certeza absoluta de que até mesmo as dores, os atrasos e as incertezas estão sendo tecidos pelo Criador para cumprir um bem maior na nossa história.




“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.”

 — Romanos 8:28


No capítulo 8 da carta aos Romanos, o apóstolo Paulo escreve uma das passagens mais consoladoras e profundas de toda a Escritura, oferecendo uma visão clara sobre a soberania divina em meio às tribulações humanas. No texto original em grego, a palavra traduzida como "age em todas as coisas" é synergei, da qual deriva o nosso termo "sinergia", e significa literalmente trabalhar junto, cooperar ou combinar elementos distintos para alcançar um único objetivo final. O apóstolo não afirma de forma ingênua que todas as coisas que nos acontecem são boas em si mesmas — afinal, dores, perdas, injustiças e decepções são reais e machucam —, mas declara com convicção que Deus orquestra e governa até mesmo os eventos mais difíceis, fazendo com que converjam para o bem (agathon) daqueles que o amam. Esse bem maior não se resume ao conforto material passageiro ou à ausência de problemas, mas ao amadurecimento da alma, ao fortalecimento do caráter e ao cumprimento do propósito eterno (prothesis) do Senhor em nossa caminhada.

Trazer essa verdade de Romanos 8:28 para o nosso cotidiano é o remédio exato contra o desespero e a ansiedade que muitas vezes nos assaltam na jornada. É comum nos pegarmos frustrados quando um projeto profissional não sai como planejado, quando um prazo se complica, ou quando enfrentamos tempestades nos bastidores da vida familiar e pessoal. A nossa visão limitada tende a julgar o livro inteiro apenas pelo capítulo difícil que estamos vivendo hoje, esquecendo que o Autor da vida enxerga a história por inteiro. Compreender a ação divina em todas as coisas nos impede de cair no vitimismo e na murmuração, ensinando-nos a encarar as contrariedades não como o fim da linha, mas como matérias-primas que o Criador utiliza para nos lapidar, corrigir a nossa rota e nos aproximar da Sua vontade perfeita.

A aplicação prática desse ensinamento na nossa rotina exige uma postura de confiança serena e entrega diária. Saber que Deus está no controle de todas as coisas não significa cruzar os braços ou agir com irresponsabilidade diante das nossas obrigações, mas sim fazer o nosso trabalho com capricho, honestidade e dedicação, deixando o resultado e o amanhã nas mãos de Quem tudo governa. Quando você enfrenta um obstáculo ou uma resposta negativa no dia a dia, em vez de se entregar ao desânimo ou à revolta, lembre-se de que nada foge ao olhar do Pai. A fé madura nos dá a tranquilidade de saber que aquilo que parece um atraso aos nossos olhos muitas vezes é apenas a proteção divina nos livrando de caminhos errados e nos preparando para passos mais sólidos à frente.

Nesta segunda-feira, ao conduzir os seus deveres e encarar os desafios da semana, descanse o seu coração nessa promessa inabalável. Recuse a inquietação pelas coisas que você não pode mudar, renove a sua esperança no propósito supremo que guia a sua vida e siga firme no caminho da verdade. Quem ama a Deus e anda segundo o Seu chamado não caminha à mercê do acaso, mas caminha de debaixo da providência perfeita daquele que faz todas as coisas cooperarem para o bem dos Seus filhos.

domingo, 30 de agosto de 2026

A Submissão e a Autoridade Suprema

Entre a Ordem Pública e a Fidelidade Divina: A Ética Cristã Diante das Estruturas de Poder



“Toda a alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer à autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela.”

— Romanos 13:1-3


A laicidade do Estado é uma garantia fundamental de liberdade e neutralidade religiosa, assegurando que nenhuma crença seja impostada por leis civis e que todos os cidadãos possam viver suas convicções com igualdade de direitos. No entanto, ser cidadão em uma sociedade laica não isenta o crente do seu compromisso moral e espiritual; pelo contrário, exige uma postura ainda mais firme na Palavra de Deus. Professar a fé em um mundo secularizado requer um testemunho vivo de retidão, onde o respeito às autoridades civis — estabelecido como princípio de ordem e convivência pacífica em textos como Romanos 13:1-3 — deve caminhar lado a lado com a obediência suprema aos mandamentos divinos. A verdadeira cidadania cristã não se traduz em cumplicidade cega nem em rebeldia desordenada, mas no exercício diário do discernimento: honrar as leis da terra naquilo que promove a justiça e a paz, mantendo a lealdade inabalável a Deus acima de todas as coisas.

Ao escrever aos cristãos que viviam sob a firme dominação do Império Romano, o apóstolo Paulo trouxe conselhos valiosos sobre a conduta do crente em relação ao Estado. O objetivo principal dessa instrução era garantir que o comportamento dos fiéis fosse exemplar, tranquilo e pacífico, de modo que a vida da igreja não se tornasse um obstáculo injustificado para a livre propagação do Evangelho de Cristo. A busca por viver em paz na sociedade permitia aos cristãos aguardarem a bem-aventurada esperança da vida eterna enquanto testemunhavam do amor de Deus através de suas boas obras.

Contudo, é fundamental compreender que Paulo não estava defendendo uma obediência cega ou desprovida de discernimento espiritual. As autoridades terrenas exercem um papel legítimo e ordenado por Deus para conter o mal e promover a ordem civil, mas o senhorio supremo de todo o universo pertence unicamente ao Senhor. Se as exigências dos governantes entrarem em conflito direto com a Fé Cristã ou exigirem algo contrário à vontade divina, o cristão deve permanecer inabalável em sua fidelidade ao Reino de Deus, mesmo que isso custe a sua própria vida e liberdade. A orientação apostólica ensina que devemos obedecer às autoridades em tudo aquilo que não contrarie a vontade divina e que contribua para a paz.

O próprio Senhor Jesus nos deixou um exemplo supremo de respeito e discernimento perante as instâncias terrenas. Sendo detentor de toda a autoridade nos céus e na terra, Ele ensinou que é preciso dar a César o que pertence a César e a Deus o que pertence a Deus (Lucas 20:25). Durante a sua prisão e julgamento, Jesus não resistiu com violência, mas submeteu-se em perfeita mansidão às autoridades judaicas e romanas para cumprir o plano de redenção, mesmo sendo completamente inocente (Isaías 53:7). Essa mesma atitude de firmeza e submissão pacífica foi vivenciada pelos apóstolos Pedro, Paulo, Tiago e João, os quais enfrentaram prisões, exílios e até o martírio por colocarem a honra de Deus acima de tudo.

Ainda que obedecer nem sempre seja uma tarefa simples para a nossa natureza humana, quando a nossa postura está alinhada ao propósito do Senhor, o nosso agir torna-se uma poderosa forma de adoração e testemunho. Que no dia de hoje possamos cultivar o respeito, a cidadania e o discernimento em todas as nossas relações sociais, vivendo de forma ordeira na terra sem jamais abrir mão do compromisso supremo com a autoridade de Deus.

Nos dias de hoje, vivemos sob o impacto constante de escândalos de corrupção, disputas eleitorais acirradas, negociatas políticas e vazamentos de investigações sobre figuras influentes e seus círculos de convivência. Para a maioria das pessoas, a figura do "magistrado" ou do "governante" raramente é associada a uma autoridade benevolente que inspira confiança imediata.

Ao ler a instrução bíblica de "submeter-se às autoridades" hoje, a reação espontânea de muitos é o ceticismo: Como respeitar ordens ou estruturas políticas que parecem frequentemente servir a interesses próprios ou de grupos de pressão?

Transportada para os dias de hoje, a passagem de Romanos 13 não é uma carta branca para os excessos do poder e nem uma exigência para que o cidadão viva alheio às manobras dos bastidores. Trata-se de uma orientação sobre a integridade do cristão em meio a um mundo imperfeito: ser um cidadão pacífico, que cumpre suas obrigações e promove a ordem, mas que mantém seus valores éticos inabaláveis diante do cinismo e da corrupção das instâncias humanas.

Até que ponto a nossa submissão às normas e autoridades do mundo reflete a nossa fé em Deus, e como discernir o momento exato em que a fidelidade à verdade divina nos exige posicionamento e coragem?

sábado, 29 de agosto de 2026

Entre a Gestão Emocional e a Dureza dos Fatos: O Retrato da Candidatura de Augusto Cury na TV Globo

ANÁLISE POLÍTICA: A Ilusão da Conciliação: Como o Discurso Abstrato Foge da Realidade da Governança e dos Conflitos Sociais

Imagem meramente ilustrativa

A sabatina do médico, psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante) na TV Globo fechou a rodada de entrevistas com os presidenciáveis expostos ao escrutínio em canal aberto. Conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, a transmissão expôs com clareza o modelo e os limites da postulação do autor ao Palácio do Planalto: a tentativa de substituir a gramática tradicional dos conflitos socioeconômicos por um discurso pedagógico e conciliador.

Se por um lado Cury conseguiu marcar posição como uma alternativa à polarização, por outro deixou transparecer as fragilidades práticas e conceituais que cercam propostas de fundo liberal-humanista no Executivo Federal.

Trata-se de um escritor comercial, ou seja, escreve para um público-alvo. Essa é a chave para compreender tanto o sucesso editorial de Augusto Cury quanto os limites da sua atuação no campo político. Assim, a característica que o tornou um dos autores mais vendidos do país — a capacidade de produzir um discurso universalistamente palatável e de fácil consumo — converte-se em seu principal gargalo político, gerando uma plataforma caracterizada por apelo empático, mas despida de substância de governabilidade.

A Ilusão da Neutralidade e o Conflito Distributivo

A tese central de Augusto Cury baseia-se na ideia de um "governo de pacificação", movido por uma mente capitalista e um coração social. No entanto, no escrutínio ao vivo, o discurso da superação ideológica esbarra na realidade da ciência política: a polarização não é um desentendimento retórico nem uma falha de saúde mental coletiva, mas o reflexo direto de conflitos distributivos e de classe.

Ao defender a redução do Estado pela extinção de até dez ministérios, o candidato acena à agenda fiscalista tradicional. Contudo, ao esquivar-se de nomear quais pastas seriam cortadas, evita indicar de onde virão os custos sociais da medida. O orçamento público é finito e impõe escolhas: cortar estruturas governamentais significa inevitavelmente afetar programas, investimentos ou regulação. A abstração, funcional na literatura de autoajuda, converte-se em descompromisso programático quando transposta para a disputa presidencial.

O SUS, o Mercado e os Conflitos de Interesse

A defesa do uso massivo da telemedicina no Sistema Único de Saúde ("Tele Saúde Brasil") foi apresentada como solução tecnológica para desafogar filas de atendimento. Entretanto, a proposta abriu margem para questionamentos severos quanto ao atrito ético e institucional.

Diante das ligações do candidato com iniciativas privadas no setor de educação e tecnologia médica, a tentativa de afastar a ideia de conflito de interesses soarou insuficiente para os parâmetros de transparência da administração pública. A contratação e financiamento de plataformas privadas pelo orçamento da União envolvem interesses corporativos milionários — espaço onde o voluntarismo do humanismo precisa dar lugar a marcos regulatórios e a contabilidade pública rígida.


Foto: Globo/ Manoella Mello


A Manutenção da Abstração

Analistas de conjuntura e opositores apontaram que o tom da entrevista se manteve excessivamente próximo ao estilo de seus livros de autoajuda, priorizando conceitos filosóficos e emocionais em detrimento de planos concretos de gestão fiscal, economia e política externa. A sabatina consolidou a imagem do autor como uma figura que busca despolarizar o debate eleitoral, enquanto levantou questionamentos sobre a viabilidade prática e a profundidade técnica de sua plataforma política.

Um presidente da República não governa apenas com intenções ou conceitos de gestão emocional. O exercício do poder Executivo exige definições orçamentárias rígidas, negociação de cargos e emendas no Congresso Nacional, e escolhas econômicas onde os recursos são escassos. Quando um postulante ao Planalto responde a perguntas sobre teto de gastos, reforma tributária ou política externa utilizando jargões de autoajuda ou apelos genéricos à unidade, o eleitorado e o mercado tendem a interpretar a postura como falta de preparo técnico ou fuga de posicionamentos impopulares.

O Apelo Final: Terapia Individual versus Governança Estatal

No minuto final, Cury recorreu ao seu ambiente de conforto: falou diretamente ao eleitorado atingido por dores emocionais, citando os dados crescentes de ansiedade e depressão e propondo uma "pacificação das mentes".

Embora o movimento gere forte apelo empático junto a parcelas desiludidas com a classe política, a análise de conjuntura expõe o equívoco de premissa:

1. Reducionismo: Conflitos estruturais como a fome, a informalidade trabalhista e a arrecadação tributária não resultam do esgotamento emocional do cidadão, mas das relações de produção e da alocação de poder e recursos no país.

2. Governabilidade: Um Presidente da República não maneja a máquina do Estado com apelos morais, mas com a construção de maiorias no Congresso Nacional e negociação orçamentária direta.

Ao encerrarem-se as sabatinas, a participação de Augusto Cury na TV Globo cumpriu o papel de desenhar os contornos do seu projeto: uma postulação que oferece o conforto do diagnóstico sentimental, mas que permanece devendo as respostas pragmáticas exigidas a quem pretende gerir um Estado complexo, desigual e polarizado como o Brasil, ou seja, a abstração funciona bem como plataforma de apelo eleitoral para eleitores desiludidos com o radicalismo, mas se torna um entrave real quando o candidato é cobrado a apresentar como pretende governar um país de dimensões e conflitos reais como o Brasil.

A Coragem do Primeiro Passo e a Ferida que o Tempo Não Cura

Neste sábado, 29 de agosto de 2026, o ensino direto de Jesus no Sermão da Montanha desmonta a ilusão de que o tempo cura mágoas sem atitude e de que rituais religiosos compensam relacionamentos quebrados. Descubra por que a verdadeira espiritualidade exige a coragem de buscar a reconciliação e priorizar a paz com o próximo antes de qualquer gesto de devoção.




“Portanto, se você estiver apresentando a sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que o seu irmão tem algo contra você, deixe a sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com o seu irmão; depois, volte e apresente a sua oferta.

 — Mateus 5:23-24


É preciso aprender a pedir perdão, a se reconciliar. Reconciliação não é opcional para quem quer se aproximar de Deus de verdade, é o preço da nossa paz.  

No capítulo 5 do Evangelho de Mateus, Jesus faz um dos alertas mais práticos e desconcertantes de todo o Seu ensino, confrontando a tendência humana de usar a religiosidade para mascarar pendências do coração. No texto original em grego, a palavra traduzida como "reconciliar-se" (diallagēti) carrega o sentido de mudar de atitude, restaurar a harmonia e remover o obstáculo que separa duas pessoas. A cena pintada pelo Mestre é forte: a pessoa já está no templo, com a oferenda nas mãos, pronta para o ato sagrado, mas é instruída a interromper o culto imediatamente. A prioridade de Deus não é o ritual bonito ou a aparência de fé, mas a honestidade dos relacionamentos. O texto nos ensina que nenhuma oração bonita ou oferta valiosa substitui a humildade de pedir perdão e consertar o que foi trincado pelo orgulho.

Trazer essa verdade de Mateus 5:23-24 para o nosso cotidiano é encarar uma realidade que quase todos nós tentamos evitar. Todos nós carregamos alguma relação quebrada que preferimos não mexer. Aquele silêncio constrangedor com um familiar, a mágoa antiga que nunca foi resolvida com um amigo de infância, ou aquela conversa franca que evitamos há anos porque sabemos que vai doer. A nossa tendência natural é ir empurrando com a barriga, fingindo que nada aconteceu e alimentando a falsa esperança de que o tempo sozinho vai resolver o que só a atitude de reconciliação pode curar. O tempo, por si só, não cura feridas de relacionamentos; ele apenas anestesia a dor e fossiliza a mágoa nos bastidores da alma.

A aplicação prática desse ensinamento exige maturidade moral e um desapego enorme do próprio orgulho. Fazer a coisa certa diante de Deus significa entender que a nossa comunhão com o Criador está diretamente ligada à forma como tratamos as pessoas ao nosso redor. Se existe uma pendência ao seu alcance, tome a iniciativa de buscar a paz nesta jornada. Não espere que o outro dê o primeiro passo ou reconheça o erro; seja você o adulto na relação que estende a mão, que manda a mensagem, que marca a conversa e que desarma as defesas. Mesmo que o outro recuse a reconciliação, a sua parte de buscar a paz e limpar o coração estará cumprida com transparência e integridade.

Neste sábado, não deixe para depois a cura de relacionamentos que pedem atenção hoje. Recuse a tentação do silêncio covarde, vença a barreira do orgulho e faça da busca pela paz uma prioridade real na sua vida. Apenas quando nos dispomos a consertar as pontes quebradas com os nossos irmãos é que o nosso coração fica leve e a nossa vida se torna uma verdadeira oferta agradável ao Pai.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Entre a compostura e a esquiva: o tom tático de Flávio Bolsonaro não esconde as velhas contradições

Com nota média de 2,4 dada por colunistas do GLOBO, o parlamentar manteve a serenidade, mas tropeçou em ilações sobre as urnas, esquivou-se de apurações financeiras e voltou a recorrer a narrativas desmentidas.


Imagem meramente ilustrativa

A maratona de sabatinas promovida pelo Grupo Globo com os pré-candidatos ao Planalto ganhou contornos de alta tensão com a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em um desempenho classificado como "treinado" e "tático", o parlamentar alcançou uma nota média de 2,4 (em uma escala de 1 a 5) atribuída pelos colunistas do jornal OGLOBO.

O resultado o coloca à frente do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (1,4) e do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (2,0), empatando tecnicamente com a estreia de Renan Santos (2,6) e ficando abaixo da performance do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, avaliado com nota 3,0 na quinta-feira.

A despeito da postura serena e do tom contido — uma clara tentativa de se distanciar dos rompantes agressivos que marcaram as aparições públicas de seu pai, Jair Bolsonaro —, a estratégia do senador revelou fragilidades substanciais assim que o escrutínio sobre o seu histórico e suas propostas se aprofundou.

O "escudo" da moderação frente às sombras do passado

O contraste entre a forma e o conteúdo foi a tônica da sabatina. Flávio preparou-se para entregar respostas decoradas e manter o autocontrole perante questionamentos incisivos. No entanto, o alinhamento retórico não foi suficiente para dissipar as dúvidas centrais sobre os episódios mais controversos de sua trajetória política e pessoal.

Entre os principais gargalos e contradições evidenciados ao longo do programa, destacam-se:

  • O elo com a fraude bancária: O senador voltou a apelar para justificativas genéricas para se esquivar de explicações detalhadas sobre sua intimidade com o banqueiro Daniel Vorcaro e os aportes de R$ 60 milhões relacionados à produção de uma cinebiografia. Flávio recusou-se a assumir o compromisso de divulgar o contrato firmado com a instituição financeira, alegando de forma evasiva que o documento já havia sido exposto pela imprensa.
  • A reescrita do histórico da milícia: Ao abordar sua ligação com o ex-capitão do BOPE Adriano da Nóbrega — apontado como chefe do grupo de exterminadores "Escritório do Crime" —, Flávio sustentou a tese de que, à época em que o homenageou na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e empregou seus familiares em seu gabinete, Nóbrega seria um "policial exemplar". A narrativa ignora as investigações e relatórios de inteligência que já ligavam o ex-militar ao crime organizado no mesmo período.
  • Esquiva nas apurações e na economia: O pré-candidato esquivou-se de dar respostas objetivas sobre as suspeitas de "rachadinha" em seu antigo gabinete na Alerj e evitou qualquer detalhe prático de como pretende conduzir a recuperação econômica do país, renegando inclusive medidas de ajuste fiscal e de contenção de gastos defendidas pelos próprios economistas e investidores que sustentam seu projeto político.

Imagem: Globo/ Manoella Mello

Desinformação e o resgate da pauta antidemocrática

Mesmo tentando adotar um perfil mais institucional, o parlamentar não hesitou em lançar mão de alegações sabidamente falsas para contornar situações desfavoráveis na bancada.

A contradição mais sobressalente da noite ocorreu quando o senador acusou o ex-comandante da Aeronáutica, brigadeiro Baptista Jr. — nomeado durante a gestão de Jair Bolsonaro —, de ter declarado voto no presidente Lula. A afirmação, totalmente carente de lastro fático, funcionou como uma tentativa de descredibilizar um dos principais depoimentos colhidos no âmbito dos inquéritos das tramas golpistas.

Além disso, Flávio reeditou velhas narrativas:

1. Pauta Ambiental: Demonstrou desconhecimento técnico ao questionar o consenso científico sobre as mudanças climáticas e rejeitar dados consolidados sobre o aquecimento global.

2. Sistema Eleitoral: Manteve o discurso de recusa quanto ao compromisso incondicional com o resultado das urnas, reproduzindo a ilação recorrente de desconfiança sobre o processo democrático.

Quadro Comparativo: O Desempenho nas Sabatinas

As notas conferidas pelos analistas e colunistas do OGLOBO refletem a recepção técnica e política dos postulantes ao longo da semana de sabatinas:


Pré-candidato / EntrevistadoMédia do Painel (1 a 5)Síntese da Avaliação dos Colunistas
Luiz Inácio Lula da Silva3,0Desempenho mais firme da semana; apelo à agenda social e defesa do mandato.
Renan Santos2,6Surpreendeu no debate conceitual, mas encontrou resistência em propostas de governabilidade.
Flávio Bolsonaro2,4"Treinado e tático". Teve compostura formal, mas acumulou esquivas e contradições.
Romeu Zema2,0Dificuldade em articular pautas nacionais e desempenho considerado engessado.
Ronaldo Caiado1,4Apresentou tom excessivamente bélico, focado no antipetismo, com pouca profundidade programática.

A estratégia do antipetismo como linha de fuga

Ao perceber-se encurralado pelos dados e fatos apresentados pelos entrevistadores, Flávio Bolsonaro adotou o mesmo figurino utilizado dias antes por Ronaldo Caiado: a busca pela polarização direta. As citações frequentes ao presidente Lula e o resgate contínuo da retórica antipetista serviram como uma cortina de fumaça calculada para afastar os holofotes de suas pendências judiciais e conceituais.

Ao fim do programa, a tentativa de polir a imagem pública e transparecer moderação entregou um candidato disciplinado no controle emocional, mas substancialmente frágil nas explicações — demonstrando que a mudança de tom não apaga a ausência de respostas sobre o passado.