A autora portuguesa foi escolhida por unanimidade pelo júri; premiação de 100 mil euros reconhece uma obra marcada pela memória, reflexão social e defesa dos direitos humanos.
Por Redação F. J. Hora OnLine
2 de julho de 2026
A escritora portuguesa Lídia Jorge é a grande vencedora do Prêmio Camões de Literatura 2026, a maior honraria da língua portuguesa. O anúncio foi feito no início da tarde desta quinta-feira (2), após uma reunião virtual do júri técnico.
A autora receberá uma premiação no valor de 100 mil euros (cerca de R$ 600 mil na cotação atual), concedida por meio de um subsídio conjunto entre a Fundação Biblioteca Nacional (FBN), vinculada ao Ministério da Cultura do Brasil (MinC), e o Governo de Portugal. Além do valor financeiro, a escritora receberá um diploma assinado diretamente pelos chefes de Estado dos dois países.
Uma obra dedicada à memória e às mulheres
Nascida no Algarve em 1946, Lídia Jorge é considerada uma das vozes mais proeminentes e necessárias da literatura contemporânea. Sua vasta obra é amplamente reconhecida pela análise profunda da história recente de Portugal, abordando feridas do passado ditatorial, as complexidades da emigração e o impacto das transformações históricas no cotidiano das famílias.
Em ata oficial, o júri destacou que o prêmio foi concedido por unanimidade:
“Desde ‘O Dia dos Prodígios’, de 1979, o diversificado conjunto da obra de Lídia Jorge contribui para enriquecer o património literário e cívico-cultural da língua portuguesa, trazendo experiências do último período da guerra colonial. A sua escrita, marcada por uma prosa poética densa, aborda o passado ditatorial de Portugal, a condição feminina (...) com um estilo literário de forte carga lírica e foco na memória coletiva.”
A defesa dos direitos humanos e o foco na condição feminina também são marcas registradas de livros aclamados da autora, como A Costa dos Murmúrios (1988) e o recente e premiado Misericórdia (2022).
Celebração da Língua Portuguesa
A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, celebrou publicamente a escolha de Lídia Jorge, reforçando o papel do prêmio como um elo cultural entre as nações lusófonas.
“A escolha de Lídia Jorge celebra uma das grandes vozes da literatura em língua portuguesa, cuja obra reafirma o poder da escrita para preservar memórias, ampliar horizontes e promover reflexões sobre a condição humana”, afirmou a ministra. “O Prêmio Camões simboliza a riqueza da nossa língua comum e o compromisso permanente do Brasil e dos países lusófonos com a valorização da cultura.”
Com a conquista, Lídia Jorge se junta a uma galeria ilustre de autores que já receberam a honraria, como os portugueses José Saramago e Sophia de Mello Breyner Andresen, e os brasileiros Chico Buarque, Raduan Nassar e Lygia Fagundes Telles.
Principais Obras de Lídia Jorge para conhecer:
O Dia dos Prodígios (1979): O romance de estreia que marcou a literatura pós-Revolução dos Cravos.
A Costa dos Murmúrios (1988): Reflexão poderosa sobre a Guerra Colonial na África sob a perspectiva feminina.
Misericórdia (2022): Obra profundamente tocante inspirada nos últimos meses de vida de sua mãe, escrita a pedido dela durante a pandemia.







