Propaganda ou transparência? No Dia do Profissional de Marketing, analisamos como os municípios de Sergipe estão gastando com publicidade e a importância de focar em resultados reais para o cidadão.
Neste 08 de maio, celebramos o Dia do Profissional de Marketing. No setor privado, a data exalta a capacidade de conectar produtos a desejos; no setor público, entretanto, a data nos convida a uma reflexão mais profunda: onde termina a comunicação institucional e onde começa a propaganda política financiada pelo contribuinte?
Sabemos que há uma campanha mundial financiada por setores específicos do poder econômico para desinformar a população para colocá-las contra a quem fiscaliza e
Em Sergipe, e particularmente nas cidades que compõem o Vale do Cotinguiba, assistimos a uma explosão de "prefeituras digitais". Perfis em redes sociais repletos de vídeos em alta resolução, edições dinâmicas e drones que sobrevoam a cidade capturando ângulos que o cidadão, a pé, dificilmente reconhece. Mas, como contador e jornalista, sinto o dever de questionar: o marketing público está sendo usado para atrair progresso ou para maquiar a realidade?
O Custo da "Curtida"
A gestão pública moderna exige transparência. Nesse sentido, o marketing deveria ser pedagógico: informar prazos de vacinação, explicar a aplicação de fundos municipais ou prestar contas sobre os rendimentos das outorgas da Deso. Contudo, o que vemos com frequência é o uso da máquina para o Personal Branding do gestor.
Do ponto de vista contábil, é preciso analisar o custo-benefício. Quando o gasto com agências de publicidade e impulsionamento de posts supera o investimento em projetos de fomento ao emprego e renda, a "vitrine" torna-se mais cara que a própria loja. O marketing de um município deve ser o seu Branding Territorial — ou seja, construir uma marca que atraia investidores e orgulhe o morador pela eficiência, não pela estética do Instagram.
Japaratuba e o Valor da Identidade
Cidades com o vigor cultural de Japaratuba possuem um merarketing natural: o nosso folclore, o pífano e a força do nosso povo. O marketing público legítimo deveria potencializar esses ativos para o turismo e para a preservação histórica. Investir em marketing é válido quando ele serve para colocar a cidade no mapa do desenvolvimento, e não apenas para garantir a reeleição de quem detém a caneta.
O marketing que o cidadão realmente deseja não é o que coloca filtros nas fotos dos buracos das ruas, mas o que utiliza as plataformas digitais para ouvir as demandas da comunidade e responder com dados concretos. A melhor peça publicitária de uma prefeitura é um portal da transparência intuitivo, onde o cidadão consiga ver, sem esforço, como cada centavo do seu imposto está sendo revertido em benefício social.
Sugestão do dia
Que o dia de hoje sirva para profissionalizarmos a comunicação pública em nossos municípios. Que os gestores entendam que o marketing político passa, mas a gestão — e seus números — fica.
O jornalismo independente continuará aqui, agindo como o "contraponto do filtro", lembrando que, por trás de cada arte bem diagramada nas redes sociais, existe uma realidade técnica que precisa fechar. Afinal, em uma gestão séria, a melhor propaganda é o resultado que se sente no bolso e na vida do povo, e não apenas o que se vê na tela do celular.
Outras comemorações do dia 08 de Maio
Não se pode falar de imagem e comunicação neste 08 de maio sem reverenciar o Dia do Artista Plástico Brasileiro. A data não é aleatória: celebra o nascimento de José Ferraz de Almeida Júnior, o pintor que teve a coragem de tirar a arte brasileira dos palácios neoclássicos e levá-la para o cotidiano do homem comum, do caipira, do trabalhador rural.
Enquanto o marketing digital muitas vezes busca a perfeição efêmera, a arte plástica busca a verdade duradoura. O artista plástico é aquele que materializa o sentimento de uma época. Se o marketing público municipal fosse guiado pelo espírito de Almeida Júnior, veríamos campanhas menos preocupadas com o brilho dos gabinetes e mais focadas na luz que incide sobre o trabalhador e sobre o patrimônio histórico.
Ao celebrarmos o Dia do Artista Plástico, é impossível para nós, sergipanos, não voltarmos o olhar para a genialidade de Arthur Bispo do Rosário. Se o marketing busca embalar o mundo em mensagens rápidas, a obra de Bispo fez o oposto: ele desintegrou o mundo material para reconstruí-lo em bordados, mantos e estandartes que hoje são reverenciados nos maiores museus do planeta. Bispo do Rosário levou Japaratuba para o centro da arte contemporânea mundial. Sua obra é a prova viva de que o regional, quando tratado com profundidade e verdade, torna-se universal.
Informe: as imagens são meramente ilustrativas, criadas por inteligência artificial.















