quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Caiado aumentou a carga tributária: Como assim, se ele é de direita?

A criação da "Taxa do Agro" em Goiás escancara a contradição entre o discurso liberal de corte de impostos e a busca pelo caixa estadual a qualquer custo.

 

A cartilha da direita liberal sempre teve como pilar inegociável a defesa do estado mínimo, o respeito ao livre mercado e, acima de tudo, a aversão ao aumento de impostos. Sob essa ótica, governar significa cortar gastos, enxugar a máquina pública e devolver poder de compra ao cidadão e competitividade ao setor produtivo. No entanto, a gestão de Ronaldo Caiado em Goiás serve como um retrato cristalino de como o pragmatismo fiscal, quando conveniente, atropela a própria coerência ideológica.

A sanção do Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), popularmente batizado de "Taxa do Agro", marcou um ponto de inflexão na trajetória política de Caiado. Para um governante que construiu sua imagem pública na defesa intransigente do agronegócio e sob a bandeira do conservadorismo econômico, a criação de uma cobrança incidente sobre commodities agrícolas como soja, milho e carne representou uma guinada direta na contramão dos princípios liberais.

O malabarismo narrativo para justificar a medida recorreu a eufemismos jurídicos. Denominada como uma "contribuição facultativa" atrelada à manutenção de benefícios fiscais do ICMS, a taxa na prática funcionou como um encargo compulsório sobre quem produz. Afinal, abrir mão do regime tributário diferenciado inviabilizaria a operação de milhares de produtores, tornando a opção pela "contribuição" uma escolha forçada.

A reação do próprio campo conservador escancarou essa contradição. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), setores patronais e partidos alinhados à direita liberal — como o Partido Novo — acionaram a Justiça e o Supremo Tribunal Federal questionando a constitucionalidade da medida, classificando-a como um aumento disfarçado da carga tributária. A invasão do plenário da Assembleia Legislativa de Goiás por ruralistas à época da votação demonstrou que o setor produtivo não comprou a tese de que criar tributos é o caminho correto para financiar infraestrutura.

É verdade que o governo estadual argumentou a necessidade de compensar as perdas do ICMS causadas por reformas federais e defendeu que os bilhões arrecadados retornariam em obras rodoviárias. Contudo, a lógica de que o Estado precisa arrecadar mais para entregar serviços básicos é a essência do pensamento progressista/desenvolvimentista — o oposto do que a direita prega nas tribunas. A direita liberal defende que o investimento em infraestrutura venha de concessões privadas, desregulamentação e eficiência orçamentária, não do bolso de quem gera riqueza.

Mesmo com o recente recuo e a movimentação pela extinção do Fundeinfra após forte pressão política, jurídica e do próprio setor, o episódio deixa uma lição indelével sobre a política goiana: ao ser testado pelo aperto das contas públicas, Ronaldo Caiado escolheu o caminho mais fácil e tradicional da política brasileira — aumentar a arrecadação. Ao taxar a espinha dorsal da economia goiana, o governador provou que o discurso de aversão aos impostos costuma durar apenas até que a necessidade de caixa bata à porta do Palácio das Esmeraldas.

A Sabedoria de Ouvir Antes de Falar e o Perigo do Julgamento Apressado

Nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, o ensino prático do livro de Provérbios faz um alerta preciso contra a precipitação, o julgamento precipitado e a mania de falar sem saber os fatos. Descubra por que aprender a ouvir com paciência e discernimento é o segredo para evitar mal-entendidos, preservar o respeito e agir com verdadeira justiça na vida pública e pessoal.

  


“Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha.”

 — Provérbios 18:13


Pois é. Tempos sombrios esse em que as pessoas querem dar o troco, dar a resposta, mesmo sem ser perguntado, mesmo que esse não seja o assunto. Tem gente que entra numa conversa para "descontar" e acaba não tendo abertura no assunto e mesmo assim fala antes de ouvir e responde antes de ser questionado. Tem pessoas que vivem de espírito armado sobre determinados assuntos e perdem a coerencia e a sensatez por fazer julgamentos apressados. 

No versículo 13 do capítulo 18 do livro de Provérbios, o rei Salomão entrega uma das lições mais 

importantes sobre a convivência humana e a busca pela verdade. No texto original em hebraico, a palavra usada para "responder" (shuv) carrega o sentido de dar uma sentença, tomar uma posição ou emitir um parecer definitivo sobre um assunto. Já o termo traduzido como "estultícia" (ivvelet) não se refere a um erro bobo sem querer, mas à tolice grosseira, à falta de juízo e à arrogância de quem se julga conhecedor de tudo antes mesmo de checar os fatos. A sabedoria bíblica mostra que quando a gente se apressa em falar, opinar ou condenar alguém sem antes ouvir com atenção todos os lados da história, a consequência inevitável é a vergonha (kelimmah), a perda da credibilidade e o constrangimento de ter alimentado uma injustiça por puro impulso.

Trazer essa verdade de Provérbios 18:13 para esta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, é um antídoto indispensável para a correria do mundo moderno, onde todo mundo quer dar opinião sobre tudo o tempo todo. Vivemos num ritmo acelerado, onde mensagens picadas de celular, boatos espalhados sem checagem e fofocas de corredor fazem com que as pessoas tomem dores, criem contendas e façam julgamentos pesados sobre os outros sem ter a menor ideia do que realmente aconteceu nos bastidores. O uso da resposta apressada destrói amizades, atrapalha o ambiente de trabalho, compromete a transparência na comunidade e faz com que o indivíduo passe a vergonha de defender o erro simplesmente porque não teve a humildade e a paciência de sentar, ouvir e procurar a verdade antes de abrir a boca.

A aplicação prática desse ensino nos nossos bastidores exige o domínio próprio e a maturidade de saber controlar a língua e desacelerar os impulsos. Ao lidar com uma situação complicada no trabalho, com uma divergência na família ou ao ouvir um boato na rua nesta quarta-feira, adote a postura do homem sábio: escute mais do que fala, faça perguntas certas, investigue o que é fato e o que é mera especulação e só emita um parecer quando tiver clareza total dos fatos. Quem sabe ouvir com paciência demonstra respeito pelo próximo, evita cair em armadilhas de pessoas mal-intencionadas e constrói uma reputação de equilíbrio e serenidade que inspira confiança em todo lugar.

Nesta quarta-feira, peça ao Criador a graça do discernimento e o freio na língua para não tropeçar nas próprias palavras. Recuse a tentação de julgar o que você não conhece por inteiro, fuja da empolgação vazia das conversas precipitadas e lembre-se de que a prudência em ouvir primeiro é a marca registrada de quem busca a justiça, valoriza a verdade e anda com integridade diante de Deus e dos homens.

Em sabatina na TV Globo, Caiado adota tom defensivo, evita detalhar propostas e busca espaço na polarização

Candidato do PSD desvia de temas econômicos, enfrenta bancada e aposta no ataque ao PT para tentar se firmar como terceira via


Imagem meramente ilustrativa

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) foi o segundo entrevistado da série de sabatinas promovidas pela TV Globo com os presidenciáveis. Durante a entrevista, o goiano tentou se apresentar como uma alternativa de "terceira via" no cenário político, mas adotou uma postura marcada por constantes embates com os apresentadores, desvio de questionamentos centrais sobre economia e visível nervosismo.

Ao longo da transmissão, Caiado reagiu de forma ríspida às interrupções da bancada formada por César Tralli e  Renata Vasconcellos, que buscavam respostas diretas para os temas propostos. Em diversos momentos, o candidato ignorou as perguntas feitas pelos jornalistas para repetir bordões de sua gestão estadual, gerando forte repercussão negativa nas redes sociais. A linguagem corporal do presidenciável — que apresentou mãos trêmulas e evitou contato visual em trechos decisivos — também foi bastante comentada pelo público.

A estratégia de equiparar os polos da política nacional serviu de pano de fundo para a participação de Caiado, que buscou atacar tanto a atual gestão federal quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro, tentando abrir caminho entre os dois eleitorados.

Caiado no estúdio da TV Globo. Fonte: G1 - Globo

Análise: Sem plano de governo, restou o antipetismo de sempre

A participação de Ronaldo Caiado expôs uma fragilidade estrutural que vai além do desempenho diante das câmeras: a ausência completa de um projeto de país que vá além do discurso oposicionista. Ao se esquivar sistematicamente de detalhar como pretende conduzir a economia, lidar com a inflação ou gerir as contas públicas, o candidato demonstrou que sua candidatura carece de conteúdo programático próprio.

O que se viu na bancada da Globo não foi a apresentação de uma verdadeira "terceira via" moderada e propositiva, mas sim a repetição das velhas táticas do antipetismo visceral que marcaram sua trajetória política. Ao usar o tempo do horário nobre para atacar o PT e fugir dos questionamentos sobre governabilidade, Caiado deixou evidente que seu motor eleitoral continua sendo o ressentimento ideológico. Sem propostas concretas para apresentar ao eleitorado, o candidato do PSD revela-se apenas mais uma peça na engrenagem da rejeição — um nome que sabe exatamente contra quem luta, mas que não consegue dizer para onde quer levar o país.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

O Ilusionismo do Estado Mínimo e a Usurpação do Futuro Social

Segurança e estado mínimo no centro da agenda, com desafios na gestão social, e que desafios!


Imagem meramente ilustrativa


As diretrizes do programa de governo do pré-candidato Romeu Zema traçam um diagnóstico claro sobre a orientação econômica e institucional que ele pretende impor ao país. A plataforma combina medidas de desestatização radical, rigidez no combate ao crime e acenos políticos ao campo conservador, desenhando um modelo de gestão focado na redução do papel do Estado na economia e no endurecimento penal.

Defensores do período destacam a estabilização da moeda com o Plano Real e as reformas estruturais como marcos para a modernização da economia. Críticos, por sua vez, apontam o custo social das privatizações, o aumento do desemprego e a dependência do endividamento público no período.

Todos esses modelos se esgotaram no governo FHC, o que abriu as portas para a conciliação de classes e a chegada de um ex-operário ao governo e não ao poder (o poder continua nas mãos das elites financeiras). O brasileiro precisa entender os ciclos da economia para não cometer erros do passado. O modelo ostensivo no combate ao crime organizado também não teve êxito, a política armamentista de Bolsonaro foi duramente criticada por setores tradicionais.

Na verdade, Zema, por outro lado, também é crítico ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição. E muitos usam as "poprostas" apenas como escudo, mas, na verdade o grande pilar da direita é o antipetismo. E esse antipetismo não pode ser um "passar pano" para os erros da Direita que responderá "pelos menos, tirei o PT".

Mas, cadê o Social? A experiência histórica demonstra que a agenda social não se esgota em programas assistenciais isolados; exige a integração de investimentos estruturantes em educação, saúde, infraestrutura e qualificação profissional. Tratar a assistência social como mero sinônimo de programas de transferência de renda é um erro conceitual grave. No debate público atual, costuma-se atacar a existência dos benefícios assistenciais como se fossem o problema central do país, ignorando que o atendimento às famílias vulneráveis é um dever constitucional.


Os Quatro Pilares da Plataforma


Os eixos centrais de sua proposta se sustentam em quatro pontos prioritários:

  • Privatização de Empresas Estatais: Venda de companhias públicas federais, incluindo ativos estratégicos do setor de energia e petróleo, sob a premissa de desonerar o caixa público e atrair investimento privado.

  • Classificação de Facções como Organizações Terroristas: Enquadramento jurídico das grandes organizações criminosas na legislação antiterrorismo para endurecer penas e ampliar mecanismos judiciais e policiais de contenção.

  • Anistia aos Condenados do 8 de Janeiro: Concessão de perdão ou revisão judicial para as pessoas responsabilizadas pelos atos ocorridos nas sedes dos Três Poderes em 2023, sob o argumento de contestar a condução dos julgamentos no Supremo Tribunal Federal.

  • Manutenção do Poder de Compra do Salário Mínimo: Garantia de reajuste do piso nacional ao menos pela taxa oficial de inflação, condicionando eventuais ganhos reais acima desse índice ao equilíbrio das contas públicas e ao desempenho do PIB.

O Equívoco do Reducionismo Social


No Jornal Nacional de ontem, Zema disse pra que está e para que veio: para privatizar empresas estatais, classificar facções criminosas como organizações terroristas, anistiar condenados pela tentativa de golpe de Estado de janeiro de 2023 e manter o poder de compra do salário mínimo. E na área socia... E terá? Sim, terá. Pasmem: a reformulação de programas de transferência de renda e a exigência de contrapartidas educacionais e profissionalizantes para beneficiários. Não é uma "má" ideia, mas, justiça social não é só isso. 

No debate sobre políticas públicas, surge uma questão conceitual fundamental: o equívoco recorrente de tratar a assistência social como sinônimo exclusivo do Programa Bolsa Família. Como apontam análises anteriores, a transferência direta de renda representa apenas uma das engrenagens da proteção social prevista na Constituição.

Essa é uma questão recorrente quando se compara governos de direita com os de esquerda. A Direita quer o Estado mínimo e a Esquerda... Ah, a esquerda. Dizem que o problema é o Bolsa Família. Sempre essa velha história. Mas, a Assitência Social é um direito constitucional, se algo está errado, é a Constituição.

Os parlamentares estão fazendo seu real papel que é legislar e fiscalizar o Executivo? O povo sabe o que significa para que eleger um parlamnetar? Se o governo precisa governar...

Do outro lado vem o Poder Legislativo. Esse, agora manda (de fato, não de direito) no Orçamento através das emendas impositivas e das chantagens co Poder Executivo. Enquanto a maioria pensa só no Executivo, achando que "mudar" só o Presidente, irá mudar o governo como um todo. Doce Ilusão. O Congresso usurpa o orçamento e o Governo paga a conta. Mas, querem dizer que o problema é o Bolsa Família. E quando não existia Bolsa Família, de quem era a culpa?

A emancipação das famílias vulneráveis depende da articulação entre segurança alimentar, acesso à saúde, universalização da educação em tempo integral e programas eficientes de qualificação profissional. Condicionar a saída da pobreza apenas à imposição de exigências ou a bônus de transição sem estruturar serviços básicos essenciais reduz a complexidade da assistência social e ignora o papel estruturante do Estado em garantir oportunidades reais no mercado de trabalho.

Para consultar as propostas registradas e informações oficiais sobre o pleito, acesse o Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).